sábado, 27 de outubro de 2012

Poesia de Emília Marcelino Daniel Marques Leitão - A Outra Metade; Voos; Valeu a Pena; Sede de Saber

 
Poesia de Emília Marcelino Daniel Marques Leitão - A Outra Metade; Voos; Valeu a Pena; Sede de Saber
 
 
A Outra Metade
 
 Ficou a minha vida pela metade
 Ali mesmo, debaixo do Capricórnio acalorado
 Na Terra da Boa Gente, pequena cidade
 Que Gama batizou, enfeitiçado.
 Calor, sol, frutos acres e coloridos
 Cheiros, sabores doces e amargos,
 Mosquitos, balidos fortes e rugidos
 Neblinas de horizontes profundos e largos.
 
Voos
 
 Voo sobre o abismo, sobre o mar
 Um voo de gansos a debandar
 Contra a brisa do vento,
 Sobre memórias sem alento.
 Voo sobre muros altos
 De preconceitos e sobressaltos;
 Vagueio, livremente, serena,
 Em viagem calma e amena
 Sobre infinitos e etéreos azuis
 De onde vejo lírios nos pauis.
 
Valeu a Pena
 
 Por mais que se tenha vivido
 Naquele engano da alma, doce e tonto
 Onde tudo parece belo e permitido…
O certo e o errado se cruzando num ponto
 Por mais que nos tenha a vida dura
 Atirado contra rochedos, feito chorar os olhos
 Naufragar o barco, romper a forte armadura
 Que julgáramos segura e sem escolhos:
 
Sede de Saber
 
 Havia uma sede profunda e subtil de aprender
 De beber em todos os livros, em todas as fontes
 Havia uma vontade infinita de saber
 De cruzar vastos e desconhecidos horizontes
 Tinha desejos de conhecer histórias de navegadores
 De continentes e países remotos, perdidos nos mapas
 Queria saber de poetas antigos e reais trovadores
 Queria cantar melodias, tocar violinos e suaves harpas
 
 
 

 

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