quarta-feira, 29 de outubro de 2014

A Babosa - Conto de João Furtado


A Babosa - Conto de João Furtado  

 O martírio era enorme. O José dos Ramos não tinha um minuto de sossego. A barriga estava a funcionar ao ritmo do mar. Se era maré-alta a barriga inchava que nem um tambor. Ia se esvaziando ao ritmo do mar até ficar completamente colada a costa.

Minutos depois iniciava o sentido inverso. Começava a encher aos poucos no mesmo ritmo do mar. Morava no Oeste, embora a Ilha seja pouco mais que 100 kms quadrados, no meio do Oceano Atlântico, podia-se dizer que Oeste era longe do mar. Sim, tudo é relativo, e nesta relatividade as poucas pessoas que residiam no Oeste afirmavam e acreditavam que estavam longe, muito longe do mar.

 Efectivamente não tinham o mar no horizonte visual. E a barriga do José dos Ramos trouxe a todos a noção dos movimentos das ondas. Não foi levado ao hospital. Todo o mundo sabia o que acontecera. Os ai ai ai ai do José dos Ramos foram tomados, embora com consternação, como normais pelo o que foi provocado.

 O mês de Maio estava no fim, o próximo mês seria Junho, mês das festas de Santo António do Príncipe. Era preciso preparar tudo para que nada ficasse ao acaso. Era um mês de festas, durante todo o mês de Junho, o Picão era o centro da ilha. O que era para guardar, tinha que ser guardado, sempre podia aparecer algum amigo do alheio.

O José dos Ramos fechou tudo em casa. Não deixou nada a vista. Era um homem prudente e não queria perder nada. Entretanto havia um utensílio, muito útil por sinal, enorme que não cabia dentro da casa, era um tacho de cobre. Tacho enorme, tinha dois metros de diâmetro. Estes enormes tachos serviam (e servem) para se fabricar farinha de mandioca.


Leia este tema completo a partir de 30 de Outubro de 2014 carregando aqui

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