quarta-feira, 26 de novembro de 2014

JORNADA CREPUSCULAR - VIAGEM NO SEBASTIANISMO - Por Mário Matta e Silva


JORNADA CREPUSCULAR - VIAGEM NO SEBASTIANISMO - Por Mário Matta e Silva 

 Enfrento o crepuscular dos dias seguindo em jornada sebastiânica, numa procura incessante, não de um vencido, de um perdedor, de um desaparecido, mas de um herói, de um destemido, de um salvador, de um Messias, que procuramos.

Viajo nos trilhos do sebastianismo (meu último livro de Poemas, editado em Março passado, com o título «SEI QUE VOLTAS SEMPRE») que vêm de 1598 aos nossos dias.

Não me acompanham profecias, (Bandarra: «Muitos podem responder / E dizer: / Com que prova o sapateiro / Ou como isto pode ser? / Logo quero responder / Sem me deter. / Se lerdes as Profecias / De Daniel e Jeremias / Por estas o podeis ver.»- cerca de 1538-1541) nem vaticínios imperiais do Padre António Vieira, pós 1640: («Quando tiverem por certo / Perdida toda a esperança / Portugal terá bonança / Na vinda do Encoberto.») e muito menos presságios de Nostradamus.

 Não me conduzem os velhos apregoadores de mitos sebastiânicos, como Lope da Vega, Fernando de Errera ou Zorrilla, em Espanha, ou de um teatro inglês de Ernest Reeynoldas, e tantos outros.

Viajo sim num sacudir de marasmo e num grito de mudança para melhor. Viajo nos crepúsculos que trazem esperanças renovadas e nos enfeitam os olhos de matizados devires. Venho de longe, por estas linhas, trazendo mágoas, revoltas, ironizados descreres, e jogo-me em cada mensagem contra as injustiças, apontando os reveses da politica, amaldiçoando a insanidade em que vivemos.

Hoje trago o inconformismo que trouxeram noutras diferentes épocas, evocando o Desejado, os mensageiros da poesia, como João de Lemos, Luís Augusto Palmeirim, Guerra Junqueiro, António Nobre, Teixeira de Pascoaes, Afonso Lopes Vieira, Mário Beirão, António Sardinha, Fernando Pessoa, José Régio, Vitorino Nemésio, António Manuel Couto Viana e muitos outros, que chegam até aos nossos dias.



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