quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A imagem figurativa na Arte - Por Ferreira Gullar - recolhido em Livres Pensantes - A magia da figura

 
A imagem figurativa na Arte - Por Ferreira Gullar - recolhido em Livres Pensantes - A magia da figura 
 
«Já no começo do começo, a arte tinha duas faces: uma figurativa e outra não figurativa ou decorativa, sendo que a primeira expressava nosso fascínio pela imagem da coisa real que, para o homem do paleolítico, não era simples imagem e, sim, um outro modo de ela existir.
 
Tanto pensava assim que, ao desenhar um bisão na parede da caverna, crava-o de setas, certo de que, com isso, magicamente, atingiria o bisão real e facilitaria caçá-lo.
 
Naturalmente, com a evolução do conhecimento objetivo da realidade, essa identificação da imagem com o ser real se desfez; não obstante, até hoje aquele fascínio se mantém, tendo atravessado as mais diversas civilizações e conceitos de realidade e cultura.
 
E é isso que explica a presença da expressão figurativa nas pinturas murais, nos relevos e nas esculturas, representando o mundo imaginário dos mitos e dos deuses.
 
Já bem mais perto de nós, no renascimento, a representação da figura humana tenta ultrapassar a fantasia para captar a realidade mesma em sua materialidade. Disso resultou, na verdade, outro tipo de fantasia, pelo simples fato de que a representação da coisa não é a coisa.
 
Data daí o que se entende por arte da pintura no mundo ocidental e que ampliou a representação das formas e coisas para criar cenas, paisagens e representação de fatos mitológicos, históricos e cotidianos.
 
Nesse processo, elaborou-se uma linguagem que, além de representar seres e cenas, criou uma espécie de espaço fictício, que emprestou tridimensionalidade à superfície bidimensional da tela.
 
 
 
 
 
 

Poesia de Carlos Fragata - SEI; SEIXAL

 
Poesia de Carlos Fragata - SEI; SEIXAL


SEI
 
 Todos os dias olho o firmamento
 E sei quantas estrelas ele tem,
 Sei dizer de que lado a lua vem,
 Sei onde anda, em qualquer momento.

Sei o que o rouxinol me diz tão bem,
 Sei porque solta o mocho seu lamento,
 Sei o que diz ao céu a voz do vento,
 Sei que, pensando em mim, existe alguém,

Sei que sofro e sei d'onde provém
 A razão porque vivo em sofrimento,
 Dentro da multidão sem ver ninguém!...

Tantas coisas que sei, são mais de um cento,
 Mas anda o coração neste vaivém,
 Sem saber a razão do meu tormento!

Carlos Fragata

Leia este tema completo a partir de 26 de Agosto carregando aqui.





 



domingo, 18 de agosto de 2013

Jornal Raizonline nº 236 de 19 de Agosto de 2013 - COLUNA UM - Daniel Teixeira - As minhas memórias mais próximas (LVII) - Ainda meias férias e um jornal completo

 
Jornal Raizonline nº 236 de  19 de Agosto de 2013 - COLUNA UM - Daniel Teixeira - As minhas memórias mais próximas (LVII)  - Ainda meias férias e um jornal completo

Quando falo acima, em título, em férias, refiro-me antes de mais ao facto da maior parte dos nossos colaboradores estar mesmo de férias, tanto no sentido efectivo como no sentido vocacional.
 
Na verdade não têm abundado as colocações no nosso grupo do facebook e nem sequer temos recebido muitas matérias para colocação no jornal. Felizmente que fizemos uma provisão de textos em geral e de poemas, não propriamente porque estivéssemos à espera de tão grande fraqueza colaborativa mas porque os trabalhos chegados nos meses anteriores se foram acumulando.
 
Temos também tido alguma dificuldade em aceder aos blogues dos nossos colaboradores que nos autorizaram a retirar deles os seus trabalhos, mas isso deve-se na sua grande parte a problemas de ordem técnica que temos vindo anunciando «passearem» em conjunto com o calor que por aqui se faz sentir.
 
Apesar do aumento do calor, ou da sua permanência, nota-se desde já uma maior facilidade de acesso na Net que atribuo no entanto ao facto de haver realmente muita gente de férias, gente essa que utiliza o seu computador muito menos agora, o que deixa algum espaço de banda mais livre ou menos saturada.
 
 
 
 
 
 

Os dentes alvos da Aline - Conto de Daniel Teixeira

 
Os dentes alvos da Aline - Conto de Daniel Teixeira
 

Eu acho que há sempre um sinal, um pormenor, um detalhe ou mesmo uma conversa que guardamos na memória primeira que temos de uma pessoa, de um acontecimento ou de qualquer coisa.
 
Deve haver, penso eu, no nosso cérebro e na nossa organização das memórias assim como que um elo de ligação escondido que desperta espontaneamente quando se fala de alguém, de um caso, de uma coisa ou quando não se pensa em nada, mesmo. E é quando essa memória, esse indício, aparece por acaso, não sendo nunca um acaso.
 
E esse sinal ou esses sinais aparecem, no nosso entendimento, como se não devessem estar ali. Mas estão ali, connosco, e vêm não se sabe como nem donde.
 
Tenho sempre dito que o nosso sistema mental funciona assim um pouco por cábulas, por indícios, por pequenos detalhes, por pequenas coisas que abrem a porta ou a gaveta onde está guardado o grosso da nossa memória de cada caso, caso a caso.
 
Só que essas cábulas, esses indícios que despoletam o resto daquilo que vamos pensar a seguir são assim como que um segredo da nossa mente, um mistério que só ela, a nossa mente, sabe interpretar. Nós não, não sabemos isso, conscientemente nem damos por nada e tudo se passa por um processo que nos ultrapassa.
 
Acho que é bom referir isto antes que comece a contar esta minha história, e é bom que saibam também que aquilo que acontece com todos nós é isso, uma coisa assim.
 
Por isso me lembro que me lembrei da Aline por causa dos seus dentes brancos, dos seus dentes extraordinariamente alvos e lembro-me que senti logo em seguida a ideia de que ela fumava. Via-a aliás, vi a Aline ali ao pé de mim a fumar.


Leia este tema completo a partir de 19 de Agosto carregando aqui.






 



Poesia de Maria da Fonseca - O Nosso Verão; A Lenda de S. Vicente; Laranjeira do Jardim

 
Poesia de Maria da Fonseca - O Nosso Verão; A Lenda de S. Vicente; Laranjeira do Jardim          
 
 O Nosso Verão
  
 Aí temos nosso v'rão
 Aquele que é português,
 Beija ao abrir da janela
 A prometer ser cortês.
 
O azul dá gosto olhar,
 O verde está mais feliz,
 No meu sorriso, amor,
 O quanto sempre te quis.
 
 Os aloendros encantam
 Belos, fartos e rosados
 Ao longo da avenida,
 Mas só eles são fadados.
 
 Outras flores não se vêm,
 O inverno não deixou,
 Foi comprido, exagerado,
 O verão não preparou.
 
Mas ele 'stá aí, louvado.
 Os melros em sintonia
 Cantam sagazes, contentes,
 Na atmosfera em harmonia.
 
 Maria da Fonseca
 
 
 
 
 
 

Poesia de Conceição Tomé - O Mistério da Vida; Dia Outonal; Paz Para o Mundo

 
Poesia de Conceição Tomé - O Mistério da Vida; Dia Outonal; Paz Para o Mundo  
 
O Mistério da Vida
 
 Ninguém conhece se há vida
 Para além daquela que conhecemos
 Porque a vida é um mistério
 Que ainda não desvendamos.
Apenas sabemos,
Que nascemos e morremos.
 Quem somos nós na conjunção
Do Universo infinito
 Se ainda ignoramos
 O seu fim e o seu princípio?
 Talvez daqui a uns quantos milénios
 Se humanos ainda houver
 Esse mistério deixe de o ser.
 
São Tomé
 
 
 
 
 
 
 
 

Poesia de Pequenina - No zunir do vento...; Caminhante Errante; Já não sou mais eu

 
Poesia de Pequenina - No zunir do vento...; Caminhante Errante; Já não sou mais eu
 
No zunir do vento...
 
 Ouço-te; no zunir do vento
 Movendo a areia, rompendo as vidraças
 Esvoaçando as cortinas
 Quebrando o silêncio do meu quarto
Me atiras para o alto…
Nada dizes, nada falas…
Mas mesmo que calado, eu ouço-te
 No tremular das minhas mãos
 No descompasso do meu coração
 Na minha imaginação.
 Que me vês; é um fato
 Mesmo sendo tu, um retrato
 Olhas-me e desejas-me
 Seduz-me com o teu olhar abrasador
 Flamejante de amor.
 Um amor aventureiro
 Embutido numa moldura estática
 Sensitivo, e imponderado
 Imagem viva de um passado presente
 Timbrada na minha mente.
 Tua mudez me sufoca
 Não te queixas, não contestas
 Recolhido num mutismo que me corta
 Mudo te vais, dando-me as costas…
Zune o vento, á bater a porta.

Leia este tema completo a partir de 19 de Agosto carregando aqui.