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domingo, 7 de dezembro de 2014

Poesia de Pedro Du Bois - Heróis; Trair; Viver


Poesia de Pedro Du Bois - Heróis; Trair; Viver

 

 

 Heróis

 

 No tempo vive segundos
 de glória. O restante da façanha
 conta em casa e no bar
da esquina: focalizado
 no instante do espetáculo.

 Sorri o estado calamitoso
 das essências: não é
 o mesmo.

 Nos estertores da glória
 restam resquícios de histórias.

 (Pedro Du Bois, inédito)






terça-feira, 11 de novembro de 2014

Poesia de Pedro Du Bois - A direção do vento; Paixão; Ir


Poesia de Pedro Du Bois - A direção do vento; Paixão; Ir


A direção do vento
 

 Corta os pés pelas mãos retira
 a direção do vento altera a altitude
 da montanha e se desfaz em gelo
 liquefeito bebe o entardecer
 Nada ergue em honras descobertas
Cata o pão amassado e ao demônio
 deseja boa sorte Esfacela a conversa
em retorno e emudece a parede
a caricatura desce do pedestal
 e se enfurna em sossego
Antecipa o feriado esquece
no presente o lamento Caça
as mãos pelos pés e se endireita
 ao chamado do sexo em razões
 desenfreadas Avança no estupor
 do disparo e acomoda o corpo
 ao espaço.

(Pedro Du Bois, inédito)


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domingo, 12 de outubro de 2014

Poesia de Pedro Du Bois - Mãos; Trajetória Oposta; Responsável


Poesia de Pedro Du Bois - Mãos; Trajetória Oposta; Responsável


 Mãos

 

 A mão abranda: cabeça
 entre as mãos.

Mãos brancas entrecruzam o corpo.

Cabeça pendida
 entre as mãos.

Chora.

Mãos abarcam a sala
 e se tocam em calores e frios.

(Pedro Du Bois, inédito)



domingo, 21 de setembro de 2014

Poesia de Pedro Du Bois - Banho; Música; Pano


Poesia de Pedro Du Bois - Banho; Música; Pano    


 Banho

 

 O banho
 envolve
 o corpo
 em espumas
 a água retira o excesso
 do dia e recompõe o noturno
 incenso do perfume.

O corpo repete
 em rito de coragem
 a secagem no suave
 contato da toalha.

A água em filetes sobre o piso
 retém da impureza o dia
 amedrontado.

(Pedro Du Bois, inédito)



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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Poesia de Pedro Du Bois - ENVENENAR; MADRUGADA; MORAL


Poesia de Pedro Du Bois - ENVENENAR; MADRUGADA; MORAL

 

 ENVENENAR

 

 O veneno atua. O agir envelhece.

Passos cadenciam músicas.

Ouvidos temem o silêncio.

O veneno conclama a vontade

a partir do medo. O agir condensa

a partida em doses: repete

o nome. Nomina. Denomina

no esgotar o espaço e sufocar

o corpo ao cansaço.


(Pedro Du Bois, inédito)




quinta-feira, 3 de julho de 2014

Poesia de Pedro Du Bois - União; Horas; Atualizar


Poesia de Pedro Du Bois - União; Horas; Atualizar





 União

 

 Unidos

em pontos

extremados: desatinos

alteram destinos



retornam

das buscas

dos tesouros

e se dependuram

nas paredes



perdem seus espíritos

na inquietude da viagem: malas

desfeitas bilhetes devolvidos

raivas enclausuradas em permissões.



Extremos aproximam

sinas em ensinamentos.


(Pedro Du Bois, inédito)




quinta-feira, 29 de maio de 2014

Poesia de Pedro Du Bois - INCIDENTAL; OBVIEDADE; ANO CIVIL


Poesia de Pedro Du Bois - INCIDENTAL; OBVIEDADE; ANO CIVIL



INCIDENTAL



A mulher cruza a peça
 em direção ao corredor interno.
 Sua perna falseia a verdade
 da caminhada. Os pés
 desistem da cena. A mulher
 desaparece no vão da escada.

 Espada em punho o homem
 acompanha a cena. A lâmina
 trespassa seu braço. As mãos
 tremem o aço oxidado. O sangue
 inunda o vão da escada.

 Outra mulher leva nas mãos o pano
 de limpeza e o balde. Ajoelhada
passa o pano no vão da escada.

 Espreme o pano dentro do balde.
O balde transborda na mulher
 desaparecida e no braço
 do homem oxidado
na temperada espada.

 (Pedro Du Bois, inédito)


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domingo, 11 de maio de 2014

Poesia de Pedro Du Bois - NASCER; CAPAZ; FAUNO


Poesia de Pedro Du Bois - NASCER; CAPAZ; FAUNO    



 NASCER

 

 Conhece do mar a correnteza
 a força a cor e as ondas
 restabelece com o ar relação de força
 ao planar o objeto e contar o espaço
 em velocidade no desfazer a terra
em pedaços loteados nos alicerces
 das casas altas: reanima o corpo
 sob o estupor da música
 e se deixa ficar: a vida é a mesma
 desde quando gerado.

(Pedro Du Bois, inédito)





sexta-feira, 4 de abril de 2014

Poesia de Pedro Du Bois - Ultrapassagem; Vidraças; Províncias


Poesia de Pedro Du Bois - Ultrapassagem; Vidraças; Províncias    



 Ultrapassagem

 

 Ultrapasso
 a mediocridade inerente
 ao tempo: discorro
 sobre o tema
 arbitro
 sentenças e ouço na música
 os compassos derradeiros.

Vergo a madeira
 em extremo gesto.

A forma na conformação
 da hora ultrapassada
 em proezas. Ouço
 o recado e o apago.

(Pedro Du Bois, inédito)



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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Poesia de Pedro Du Bois - Vírus; Paixão; Chá

 
Poesia de Pedro Du Bois - Vírus; Paixão; Chá   
 
Vírus

O vírus vive (morre) onde ataca. Destaca
a fragilidade aberta ao contato. Vivencia
o ato da disputa: o revés não o aniquila.
Feito paciente no horário determinado.
O corpo não permite ao vírus a entrada.
Cede no cansaço de anos de batalha.
O vírus permanece na oportunidade.

Paixão

a paixão devora olhos e corações
de épocas e sentidos com que
passamos horas e dias frios
para chegarmos a esse tempo
e encontrarmos o vazio
de não havermos encontrado
a pronúncia exata das palavras
na maneira certa de dizer
estamos aqui e a paixão
permanece em nossos olhos
embaçados em lágrimas
de reconhecimento
como naquelas horas
e como serão em futuros
tempos de mãos entrelaçadas
 
 

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Poesia de Pedro Du Bois - SERES; FACA; JANELA ABERTA

 
 
Poesia de Pedro Du Bois

SERES; FACA; JANELA ABERTA   

 

SERES

 

Com o irmão troca palavras
senhas e sinais
criptografados em tempos idos

o irmão surpreendido
o irmão surpreso: o surto psicótico
no reconhecimento

o irmão vem de longe em visita
trazendo o passado entrevisto.

Na mala repousa o cisco
no olho do dia da partida.

Quebra o segredo
e desagua em abraços.

(Pedro Du Bois, Seres, 29)
 

domingo, 22 de setembro de 2013

Poesia de Pedro Du Bois - PRIMEIRA VIAGEM; TER; VERDEJANTE

 
Poesia de Pedro Du Bois - PRIMEIRA VIAGEM; TER; VERDEJANTE   
 
 
PRIMEIRA VIAGEM
 
 Faço as malas: papéis amassados
 papéis rasgados
 cópia autenticada
 da certidão de ir embora
 atestado de carreira
 contra recaídas
 tampões de orelhas
 tesoura de unhas
 o bigode raspado
 no disfarce

estrago o papel da bala no fazer
o desenho inimaginável do barco

embarco e saio
 atrás de mim
 as malas estalam
 em primeira viagem.

(Pedro Du Bois, inédito)


Leia este tema completo a partir de 23 de Setembro carregando aqui.


 



domingo, 8 de setembro de 2013

Poesia de Pedro Du Bois - ONUS; ESPINHA; Vão

 
Poesia de Pedro Du Bois - ONUS; ESPINHA; Vão   
 
 
ONUS
 
 Receio na inversão do ônus
 desaprovar o modo
 de me dizer inocente: antigas melodias
 embalam fantasmas.

Na irracionalidade
da hora a diáspora
 adia o encontro.

Do ônus da prova
sabe o condenado: condensado
em ares encarecidos
 de verdades.

(Pedro Du Bois, inédito)
 
 
 
 
 
 

domingo, 28 de julho de 2013

Poesia de Pedro Du Bois - Artes plásticas; Esgotar; Receios

 
Poesia de Pedro Du Bois - Artes plásticas; Esgotar; Receios   
 
 
Artes plásticas

Na artificialidade do gesto
o corte impede a madeira
impele a pedra
interpela o metal
interpreta o papel

as transformações se completam.

(Pedro Du Bois, inédito)



Leia este tema completo a partir de 29 de Julho carregando aqui.




domingo, 23 de junho de 2013

Poesia de Pedro Du Bois - Marujo; A Criação dos Filhos; Desabitar

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Poesia de Pedro Du Bois - Marujo; A Criação dos Filhos; Desabitar  
 
Marujo
Rápido o marujo  
arroja  a vela  
o barco  
equilibrado  
 
sobre a água  
imóvel  da tormenta  
no íntimo momento  
em suspenso  
da hora  do naufrágio.  
 
(Pedro Du Bois, inédito)  
 
http://pedrodubois.blogspot.com
Leia este tema completo a partir de 24 de Junho carregando aqui.

domingo, 26 de maio de 2013

Poesia de Pedro Du Bois - Emblemático; Partida; Requerer

 
 
Poesia de Pedro Du Bois - Emblemático; Partida; Requerer 
 
 Emblemático
 
Repito o lema em voz alta
 reparto o tema em gritos
 reconduzo o cego ao lado
 na incerteza no caminho:

exijo a reposição da perda
 dos desencontros repetidos
em ternas palavras

Partida
 
O motor ligado
 o câmbio
 os pés deslizam pedais
 de ir embora

a imagem retrovista
 avisa da tristeza
 
Requerer
 
Requeiro
 visto
 de saída

em nova vida
 me arrependo
 na continuação da busca

requeiro visto de entrada
 e regresso ao prazer atávico
 do seio materno
 
 
 
 
 

 

domingo, 5 de maio de 2013

Poesia de Pedro Du Bois - SONS; JORNADA; AO POETA

 
Poesia de Pedro Du Bois - SONS; JORNADA; AO POETA 
 
 
SONS
 
Escuto no som
 a constância
 com que se repete:

água contra a vidraça
 olho o escuro
 da noite. O relâmpago
 rasga a imaginação
 em medos
 
JORNADA
 
O limite
 do trajeto
 estendido
 em estradas
 percorridas

encontrado no fio
 desenrolado
 em seu término
 
AO POETA
 
Ao poeta
 os restos
 recompostos
 das palavras
 multiplicadas
 em versos:

o esconderijo revelado
 no cansaço ensimesmado
das pedras dispostas em alas;
 
 
 
 

 

sexta-feira, 15 de março de 2013

Especial Dia da Poesia - Brasil - Poesia Inédita de Pedro Du Bois - Três poemas - TOMAR CONTA; EREMITA; CONTRARIOS

 
Especial Dia da Poesia - Brasil - Poesia Inédita de Pedro Du Bois - Três poemas - TOMAR CONTA; EREMITA; CONTRARIOS
 
 
TOMAR CONTA

Tomo conta da casa
 fantasma
 atravesso portas

fecho janelas
 bato cortinas em ventos

não permito ao tempo
 sua ocorrência. A decorrência
 do fantasma.

 
EREMITA

A carícia inoportuna o corpo
 em que o eremita
 se resguarda: o toque desfaz o rito

ao corpo oportunizado
em resguardo.

Ao eremita sobra
 na carícia
 o toque: o resguardo
 inoportuno
 se desfaz.

 
CONTRARIOS

Ao contrário do que meus inimigos
 calam
 sobre mim

 torno público
 o espúrio plano
 de me fazerem esquecido
 em deslembranças: refletir no espelho
 o rosto acontecido.

 
 
Leia este tema completo a partir de 18 de Março carregando aqui.
 
 
 

 
 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Poesia de Pedro Du Bois - AMORES; INEXISTIR; MUDAR

 
Poesia de Pedro Du Bois - AMORES; INEXISTIR; MUDAR
 
 
AMORES
 
 O perfume do jasmim
 a cor da jabuticaba
 a palavra àspera na despedida.

 Os namoros breves
 em breves namoros

 
INEXISTIR
 
 A pedra
 em sedimentos
 petrifica
 a ideia
 da vida
 em movimento

 (rola pelas ribanceiras
 explode em dinamites)

 
MUDAR
 
 Busco a mudança
 no incógnito regresso
 ao ventre
 exijo outra
 nova
 repetida forma
 na deformação do corpo
 em desconhecimento

 
 
Leia este tema completo a partir de 25 de Fevereiro carregando aqui.
 
 
 

 
 

sábado, 26 de janeiro de 2013

Poesia de Pedro Du Bois - MALDADE; FRONTEIRAS; MORRER

 
Poesia de Pedro Du Bois - MALDADE; FRONTEIRAS; MORRER
 
 MALDADE
 
 Traz a sina
 a sanha
 a peçonha do desencontro:

 
o veneno inoculado
 no escasso esforço
 de se dizer ausente.

 
(Pedro Du Bois, inédito)
 
 FRONTEIRAS
 
 Marco a distância: crio fronteiras
 e as armo em cercas farpadas.
 

Reservo espaço ao póstero. Sigo
 os passos menino moço remoçado
 e impeço sua saída. Pergunto pela
 identidade: faço ver a necessidade
 das explicações. Armo minha fala
 no descaso do eterno (ou quase)
 vigilante. No peso a responsabilidade
 rompe o estribilho. Minha fronteira
 exige permanências.

 
 (Pedro Du Bois, inédito)
 
 MORRER
 
 Na obviedade
 esqueço a importância: sei
 dos selvagens não contatados

 a secularidade na datação
 civilizada: aos selvagens restam
estações monitoradas por satélites

 em estradas abertas
 ao progresso o óbvio acompanha
 a máquina: a mortandade acontece
 antes do contato.

 
(Pedro Du Bois, inédito)
 
 
Leia este tema completo a partir de 28 de Janeiro carregando aqui.