Poesia de Sanio Aguiar Morgado - Cobaia; Roda da vida; Sonhos e pesadelos
Cobaia Sou esta experiência, uma cobaia simplesmente, entregando o corpo e a alma para pesquisas do Criador. Os aparelhos estão ligados, sabem tudo o que passo, testam este ser de carne, sobrecarregam o coração. Sinto que meus olhos se encontram feridos e que os lábios num sorriso não escondem esta dor. Quando me inutilizarem, libertem a minha alma no espaço infinito de onde emana todo o amor.
Poesia de Sanio Aguiar Morgado - MONSTRO DO TEMPO; MIGUELZINHO; NATUREZA MONSTRO DO TEMPO O tempo, este monstro impiedoso, nos convida aos mais belos jantares, depois consome-nos a todos. Ilude-nos com a sua beleza e mesmo encantos de criança, mas acelera à nossa frente, levando sonhos e esperanças. Passa rápido, não duvides, nem te iludes com suas ofertas, as mais inocentes prendas serão levadas em hora incerta. E quando revelar à tua frente, a face que sempre te escondeu, verás que és o próprio monstro, como serás tu e sou eu. Leia este tema completo a partir de 8 de Julho carregando aqui.
Poesia de Sanio Aguiar Morgado - Trem da Vida; Fantasma; Herança Além Tejo
Trem da Vida Há um trem na minha vida, que regularmente me atravessa. às vezes, o sinto vazio, outras, observo-o cheio, nunca sei o seu destino, aonde vai ou de onde veio. Fantasma Antigamente, quando escrevia, um fantasma que não via me dizia todas as coisas. Hoje, o entendo, leio seu pensamento e ele não me fala nada, escrevo sempre o que penso. Herança Além Tejo Lavo a alma nas águas do Tejo, alma das cartas que ficaram sem resposta. Do tempo esquecido, de esperanças na partida e saudades que ficam no horizonte. Leia este tema completo a partir de 8 de Abril carregando aqui.
Poesia de Sanio Aguiar Morgado - AMANTES; TESTAMENTO I; NADA A ESCREVER
AMANTES Ambos assim entrelaçados, entregues e inertes neste momento, restamos docemente fatigados ao amor que nos deixa derrotados. Corpos unidos e abraçados com nossos sangues mais quentes, nos aquecem mais que as roupas lançadas ao chão mutuamente. TESTAMENTO I O que me pertence é esta escrivaninha velha, e uma máquina de escrever. é a chuva que cai, a solidão da tarde e os versos que deixarei. NADA A ESCREVER Agora não queria escrever nada e só deixar este papel serenamente em branco, questionando, um reflectir de tudo. Uma impotência do ser humano que está entre o silêncio e um grito. Folha com pressentimentos, cheia de versos invisíveis. Leia este tema completo a partir de 4 de Março carregando aqui.
Poesia de Sanio Aguiar Morgado - RECOMPENSA; PAREDES DA BEIRA; POESIA INVISIVEL
RECOMPENSA
Escrevo acreditando que isto um dia tome forma e cristalize o brilho dos meus olhos.
Pois em cada verso, não me extingo tão facilmente, sinto que deixarei sementes e estarão por este universo.
Me alegra fazer nascer certas palavras, que estavam no silêncio de profundos isolamentos.
PAREDES DA BEIRA
Onde nasce o arco-íris, pousa um beija flor, germina esta semente o nascer de um novo amor. E uma estrela cadente nas aguas fundas do olhar. Despertando o imenso vale, brilha o sol na ribeirinha, videiras generosas e mil asas de passarinhos. é a aldeia distante,
POESIA INVISIVEL
é preciso escrever para que não se perca esta loucura toda.
Cada gota é importante deste metal líquido, este mercúrio da alma.
Por que se o perdermos, reagirá em espuma e fumaça, ficará desfeito na chuva.
Poesia de Sanio Aguiar Morgado - PROJECTO; UM AMOR; PAI
PROJECTO Estes desenhos inacabados, alguns até já coloridos, é o projecto da minha vida, mas que não foi concluído. Foram feitos de ilusões, com muito amor e paixão, a alma pura e inocente que não é a realidade. UM AMOR Quero o amor dividido, metade para mim e outra para você. Um amor sereno, sem mágoas, sem rancor e sem veneno. PAI Pai que me viu brincar, pai que vi trabalhar, pai que me viu chorar, pai que vi sorrir. Pai que me viu andar, pai que vi descansar, pai que me viu dormir, pai que vi acordar. Pai que me viu falar, pai que vi se calar, Leia o texto completo a partir de 14/01/2013 carregando aqui.
Poesia de Sanio Aguiar Morgado - ANJO;SER COMPLETO; OS POETAS
ANJO Tu que me rodeias e percorres minhas ideias, vives em minhas veias moldando meus ideais. A quem sinto pertencer todas estas células, a matéria que possuo e até a alma que tenho. SER COMPLETO Se um dia tivesse tua paixão, teu carinho, tua admiração, teu colo, tua amizade, teu conforto, tua dedicação, teu desejo, tua ambição, teu companheirismo, tua vontade, teu pudor, OS POETAS Nós não precisamos dos poetas, só de economistas, técnicos de reservas cambiais, os mercados flutuantes e todos os índices. Estes salvarão o mundo, igualarão ricos e pobres e acabarão com a fome. Os poetas serão expulsos, perseguidos e queimados, principalmente os amantes. Leia este tema completo a partir de 19/11/2012
EUCLIDES RODRIGUES PIMENTA DA CUNHA, nasceu em Cantagalo, Rio de Janeiro, no dia 20 de Janeiro de 1866. Órfão de mãe aos 3 anos , recebeu de seu pai Manoel Rodrigues, baiano, grande influencia romântica da geração de Castro Alves de versos com inspiração humanitária e social.
Foi militar, engenheiro, jornalista, professor, ensaísta, historiador, sociólogo e poeta. Seus primeiros estudos foram em São Fidélis, concluindo mais tarde curso de Humanidades no Colégio Aquino, tendo sido discípulo de Benjamin Constant.
Fundou o jornal O Democrata com outros companheiros onde publicava composições e poesias.
Sua passagem pelo exército foi bem curiosa pois foi desligado por insubordinação, tendo assistido a Proclamação da republica volta a ser reintegrado a pedido de amigos, entre os quais, Candido de Rondon e lá conclui o curso da escola superior tornando-se então, Primeiro-tenente.
Euclides deixou o exército em 1896 e já como engenheiro é nomeado Superintendente de Obras de São Paulo. Em 1897, ainda jovem, preocupa-se com os sertões, a dor do sertanejo e a tristeza da vegetação regional. Os sertões foi o reino do escritor, sua personalidade foi acrescida dos sertões, foi sua «Passárgada», lembrou Gilberto Freire.
A formação social no Brasil, os problemas étnicos, a deterioração regional e racial passaram a fazer parte do universo deste homem carismático, terrivelmente magro e ardente de brasileirismo, que já refletia sobre o futuro amazónico e ao seu espírito cablôco, junta-se o engenheiro e o sociólogo.
Naquela noite de 7 para 8 de Dezembro de 1930, Florbela Espanca avisou a sua criada Teresa de que não ia dormir no seu quarto habitual, do casal, mas noutro mais tranquilo e pediu-lhe para não ser despertada no dia seguinte. Disse-lhe, ainda, que andava com insónias e que queria dormir em paz...o máximo de tempo possível. Pela manhã, quando foi encontrada, era tarde demais Florbela morreu durante a noite, possivelmente às duas horas da manhã, à mesma hora e no mesmo dia em que tinha nascido, 36 anos antes.
O dia 8 de dezembro é o dia de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Portugal, e curiosamente, Florbela Espanca nasceu a 8 de Dezembro (1894), casou a 8 de Dezembro de 1913, suicidou-se a 8 de dezembro de 1930, foi baptizada na igreja de Nª Sª da Conceição, aos 8 anos adotou o nome «da Conceição», e lecionou no colégio Nª Sªda Conceição, em Évora . O dia 8 de dezembro era ainda o aniversario da sua mãe, mãe que Florbela não conheceu bem.
Procurou incessantemente a felicidade no amor, mas a tragédia rondava sua vida, suas constantes decepções amorosas e finalmente a perda de seu irmão, amigo e confidente, através de cartas, selou sua desilusão pela vida.
O facto de ter assumido dois divórcios e três casamentos, numa época em que não era permitido a mulher tal liberdade, fez cair sobre ela o peso de uma sociedade austera, desumana, mesquinha e caluniosa. Perdia-se aí a maior poetisa de nossa língua.
Seu livro «Poesia Completa» na sua 5ª edição da Publicações Dom Quixote - Lisboa - em 2004 é particularmente especial para se compreender este ser tão especial.
Infelizmente até os dias de hoje há os que a julgam e condenem atribuindo-lhe o rótulo de libertina que ultrapassou as barreiras da natureza como sendo uma pessoa que escolheu as contradições «contra natura» que a conduziu a depressão e ao suicídio conforme publicação de nº 60 de maio de 2009 de «O Campanário» da paróquia de Ervidel.