Poesia de Conceição Tomé - O Mistério da Vida; Dia Outonal; Paz Para o Mundo
O Mistério da Vida
Ninguém conhece se há vida Para além daquela que conhecemos Porque a vida é um mistério Que ainda não desvendamos. Apenas sabemos, Que nascemos e morremos.
Quem somos nós na conjunção Do Universo infinito Se ainda ignoramos O seu fim e o seu princípio? Talvez daqui a uns quantos milénios Se humanos ainda houver Esse mistério deixe de o ser.
Trabalhos de Natal - Diversos Autores - OUTRO LADO DO NATAL (JORGE BRITES) ; NATAL (João Furtado); Natal De Hoje - Natal Tropical (São Tomé); Enfim...(Patrícia Neme); UM PEDIDO DE NATAL (Denise Severgnini)
OUTRO LADO DO NATAL
Se todos os dias o homem lutasse Por um mundo mais justo e melhor De certeza talvez melhorasse O que está cada vez pior
Pudera eu comandar O ilustre Ser humano Iria a todos obrigar A sentir o Natal todo o ano
NATAL
N Não consigo festejar este NATAL A A Guerra… Ela não nos deu tréguas… T Tanto sangue… Tantas lágrimas… Tanta morte… A A fome… A crise… A violência… Tantas mágoas… L Lamento mas este não é o meu NATAL!
João Furtado
Natal De Hoje
Natal, evocação do milagre da vida, Do apelo à paz, do amor ao próximo, à solidariedade e harmonia. é pena que seja só por um dia, Essa corrente de fraternidade. Depois tudo volta à fria realidade Ao desamor, à desonestidade… Será apanágio dos poetas pensar; Que as pessoas deviam continuar O ano todo com o espírito de Natal?
Natal Tropical
Naquele país distante O Natal era diferente Era o Natal tropical Que p’ra todos era igual.
A noite nunca era fria As ruas não tinham neve Para enregelar os pés As casas sem chaminés Fumegavam de alegria Até ao romper do dia.
Enfim...
Será Natal, se o pão nosso for fato consumado e todo cidadão, bem empregado, já não temer a vinda do futuro.
Quando o nascer de mais uma criança for muito além da gota de esperança, de que, todos os dias, Deus dará.
UM PEDIDO DE NATAL
Pedrinho...Pedrinho de quê? Da Silva? Dos Santos? De Souza? Ele não sabia seu sobrenome. Fora abandonado ao nascer. Crescera na rua, vivia da bondade alheia. _ Pedro Silva e Silva, dizia ele, ao ser interpelado em relação ao seu nome completo. Era chique, no Brasil ser Silva e Silva, mesmo que a maioria da população fosse da Silva. Não tinha pai, não tinha mãe. Até os nove dez anos, morara num orfanato, depois fugirá de lá. Era maltratado pelos funcionários e já fora muito maltratado pela vida.
Era uma noite quente de dezembro. A cidade estava enfeitada com as luzes do Natal. Pedrinho sonhava com o Natal. Nunca ganhara um presente. Tudo o que possuía era de segunda mão. O calor estava demais, ele tentava dormir no quartinho que dividia com outro morador da rua.
Maria, não tinha mais que cinco anos de idade. Era uma criança meiga e sossegada que tinha verdadeira adoração por bonecas, mas os pais não tinham muitas posses para lhas comprar.
A sua mãe lá lhe ia fazendo umas bonequinhas de trapo, vestidinhas de chita, com a boca, os olhos e o nariz bordados com linhas de cor e o cabelo feito de fios de lã ou de barba de milho.
Maria tratava com muito carinho as suas pequenas bonecas de trapo e passava horas a brincar com elas.
Um dia, Maria viu uma linda boneca e ficou encantada com tamanha maravilha. A boneca, era quase do seu tamanho, tinha um lindo rosto de porcelana, uns lindos olhos azuis e uma boquinha que parecia uma rosa desabrochada.
Estava ricamente vestida, com um vestido de organza cor-de-rosa, enfeitado de rendas brancas e um chapeuzinho azul celeste, preso por umas fitas de seda da mesma cor, que acabavam num grande laçarote junto ao pescoço.
Tinha uns sapatinhos pretos e uns soquetes brancos, que completavam a toilette. Maria contentava-se com as suas pequenas bonecas de trapo que sua mãe habilidosamente fazia, para ela, mas sonhava com aquela boneca que um dia vira.
Acalentava o sonho de poder vir a ter uma boneca como aquela, mas não se atrevia a falar no assunto com os pais.
Como o Natal estava próximo, e ouvia dizer que o Menino Jesus, deixava brinquedos no sapatinho aqueles meninos que se portassem bem, Maria rezava todas as noites ao seu Jesus para que não se esquecesse dela e lhe desse uma boneca igual aquela que um dia vira.
Na noite de Natal, depois da Missa do Galo e da ceia, o pai disse-lhe que tinha que deixar o seu sapato junto da chaminé.