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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Crónicas de Santarém - Por Arlete Piedade - O Peregrino

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Crónicas de Santarém - Por Arlete Piedade - O Peregrino 
 
Sempre que entrava naquele velho palácio, onde funcionam vários serviços úteis á cidade e ainda a escola de danças de salão que o meu filho frequentou por três anos, uma sensação estranha de irrealidade me envolvia, de velhas memórias do passado trágico de pessoas apanhadas nas malhas de um destino que enlutou toda uma nação.

Pois que é voz corrente e aceite, conforme lápide de pedra afixada na frontaria do mesmo, que naquele local se erguia no século XVI o solar dos Sousa Coutinho, sob as ruínas do qual foi construído o actual Palácio Landal no século XVIII o qual tem sido objecto de restauro e usos diversos desde então.

Corria o século XVII, algures num daqueles anos seguintes á tragédia da batalha de Alcácer-Quibir, em que o rei português D. Sebastião foi dado como morto ou desaparecido em combate e com ele vários dos seus companheiros, numa batalha sangrenta no Norte de Africa e por tal facto condenou a liberdade da sua nação, ao morrer solteiro e sem herdeiros directos.

Ocasião que foi utilizada pelos reis espanhóis que se aproveitaram de factos sem contestação possível e se apoderaram da coroa portuguesa, perante a revolta impotente de vários fidalgos patriotas mas que não sentiam legitimidade para se rebelarem abertamente. Entre esses, destacava-se D. Manuel de Sousa Coutinho, casado em segundas núpcias com D. Madalena, viúva de D. João, falecido na batalha fatídica.





sexta-feira, 5 de abril de 2013

Crónicas de Santarém - Por Arlete Piedade - Reconquista de Santarém aos Mouros – 15 de Março de 1147

 
Crónicas de Santarém - Por Arlete Piedade - Reconquista de Santarém aos Mouros – 15 de Março de 1147
 
Durante aquele Inverno do ano de 1147, estando as cortes reunidas em Coimbra, uma estranha mulher pediu para ser admitida á presença de El-Rei D. Afonso Henriques, no seu paço real.

Verificando os seus companheiros, que aquela mulher pertencia á odiada raça de infiéis que dominavam o sul do território, El-Rei mandou chamar o seu fiel lugar-tenente Mem Ramires, que falava a língua árabe, para servir de intérprete.

Ouvindo o que a moura contava, perceberam que o despeito e ciúme de ter sido rejeitada pelo alcaide Cefrim, governador da cidade de Santa Iria, a tinha levado ali para denunciar aos cristãos o que sabia dos pontos fracos das defesas da cidade.

El-Rei reuniu-se então com o seu estado-maior e foi decidido enviar Mem Ramires a Santarém, disfarçado de negociante pois que devido ao seu conhecimento da língua, seria fácil inteirar-se da veracidade das informações prestadas.

Este quando voltou, relatou ao rei que seria fácil tomar a cidade, subindo pelas muralhas pois que as sentinelas dormiam no seu posto, confiantes na segurança proporcionada por essa fortaleza que consideravam inexpugnável.

Tomada a decisão e ultimados os preparativos, puseram-se a caminho viajando de noite para que aos mouros não chegassem notícias de seus planos e se precavessem e no último acampamento já próximo da cidade, nos arredores de Pernes, é que El-Rei revelou a todos, os seus desígnios apenas conhecidos de um pequeno número dos seus mais íntimos conselheiros.

Nessa noite á volta da fogueira do acampamento estabeleceram os planos para a luta os quais consistiam em construírem 10 escadas em madeira por onde subiriam 12 cavaleiros cada, comandados pelo bravo Mem Ramires que tão fácil via a empreitada que se prontificou a subir em primeiro lugar e em colocar a bandeira hasteada no mais alto torreão.
 
 
 
 

 
 

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Crónicas de Santarém - Porque somos Scalabitanos - Por Arlete Piedade

 
Crónicas de Santarém - Porque somos Scalabitanos - Por Arlete Piedade 
 
Hoje vou contar-vos a origem do nome de Scalabis, que deu origem ao nome escalabitanos ou scalabitanos, com que os naturais de Santarém, são também conhecidos a par do nome de santarenos.
 
Conta-se que muito antes dos romanos chegaram á Península Ibérica, havia um lindo reino nesta região banhada pelo rio Tejo, de campos floridos e florestas frondosas, cujo rei se chamava Gorgoris.
 
Os seus habitantes dedicavam-se á caça e á agricultura e o seu rei que também era conhecido por Melícola, dedicava-se á produção de mel, cujo segredo lhe tinha sido ensinado pelos deuses, pelo que de todas as terras mesmo distantes vinham pessoas atraídas pela fama de Melícola e das suas abelhas.
 
Um dia uma grande armada comandada pelo herói grego Ulisses subiu o Tejo, em busca de mel, e ancorou em frente ás belas praias onde a princesa Calipso, filha de Melícola, passeava com as suas amigas.
 
Atraído pela beleza da bela princesa Ulisses esqueceu-se da sua missão e ficou por ali passeando e namorando com a bela princesa pelas florestas e campos daquele reino encantado.
 
 Mas uns caçadores viram-nos e foram dizer ao rei o que se passava, que zangado por saber que Calipso tinha um estrangeiro como namorado, mandou os seus soldados expulsaram os gregos.
 
Só que Calipso estava grávida e ficou muito triste e desgostosa com a atitude de seu pai. Quando o seu filho nasceu, deu-lhe o nome de Abidis e verificou que ele tinha um sinal de nascença num braço com o desenho de uma rosa vermelha.
 
 
 
 
 

 

sábado, 5 de janeiro de 2013

Crónicas de Santarém - Loja de Raridades - Por Arlete Piedade

 
Crónicas de Santarém - Loja de Raridades - Por Arlete Piedade 
 
Há dias, voltando de visitar um cliente, ao passar junto a uma velha montra, algo me chamou a atenção.
 
Ainda tinha uns minutos, pelo que resolvi entrar e visitar aquela loja que tinha sido objecto de uma reportagem no jornal local de maior circulação, há alguns meses.
 
Mal transpus o limiar da porta e comecei a mirar o motivo da minha curiosidade, e logo um velho homem, alto e escanzelado, veio ao meu encontro, com um sorriso desdentado no rosto.
 
Uns óculos de lentes grossas cobriam-lhe os olhos cansados de noventa e tal invernos vividos com entusiasmo e paixão, que ainda brilhavam ao falar do seu negócio.
 
Negócio? Dificilmente esta palavra se poderá aplicar àquele espaço que mais parece um museu, ou local de culto.
 
Educadamente dirigiu-me a palavra perguntando em que podia ser útil e ao ver para onde o meu olhar se voltava, um cintilar de entusiasmo, fez despedir faíscas brilhantes das lentes dos seus auxiliares visuais.
 
Tirou então a carteira do bolso e abriu-a retirando um velho recorte de jornal que desdobrou cuidadosamente, mostrando-me um artigo sobre o nosso veterano jornalista, falecido há alguns anos, Fernando Pessa.
 
Na verdade eles até são parecidos, pensei eu, relembrando o velho homem das reportagens interessantes na TV, velha glória que no tempo da segunda guerra mundial, exilado em Londres, recusava ir para o abrigo, para fazer a reportagem em directo do estrondo das bombas nazis.
 
Pensando ir ouvir um elogio ao jornalista falecido em plena actividade, com mais de 90 anos, preparei-me, com uma postura atenta.