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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O ACTO DE MATAR - Retirado de Cineclube da Faro


O ACTO DE MATAR - Retirado de Cineclube da Faro

 Crítica

 Membros de «esquadrões da morte»na Indonésia de Suharto reconstituem, numa mascarada demente, as cenas de tortura e assassinato em que estiveram envolvidos. Uma pantomina diabólica.

Acasos da distribuição levam-nos outra vez, poucas semanas depois do filme de Rithy Panh sobre o genocídio cambojano (A Imagem que Falta), para as grandes violências, politicamente motivadas, no sudeste asiático. Em causa agora está a Indonésia, e aquele período da segunda metade dos anos 60, a seguir à subida ao poder de Suharto, em que «esquadrões da morte»superiormente patrocinados se encarregaram de chacinar opositores ao novo regime, sobretudo «comunistas», em número indeterminado mas que as estimativas mais pessimistas indicam poder chegar ao milhão e meio de pessoas, escala genocida.

 Ao contrário do que aconteceu no Camboja, a Indonésia nunca promoveu qualquer ajuste de contas com este passado sangrento, muito menos através do seu aparelho de Justiça, e os assassinos continuam a levar vidas «normais», gozando até alguma consideração social advinda dos actos que cometeram no passado.

E é em direcção a esta história que se encaminha O Acto de Matar, primeiro filme realizado por Joshua Oppenheimer, americano radicado na Dinamarca (país que surge, com a Noruega e o Reino Unido, entre os co-produtores). Desde as suas primeiras apresentações públicas em 2012, no circuito dos festivais, tem feito sensação, e deixado um rasto de enorme estima, principalmente entre a crítica anglo-saxónica, onde foi presença recorrente em várias listas dos «melhores do ano»de 2012. Ainda antes disso, já tinha seduzido luminárias como Werner Herzog ou Errol Morris, que fizeram o suficiente pela concretização do projecto para virem creditados como produtores executivos.






quarta-feira, 16 de abril de 2014

TEMPORARIO 12-Destin Cretton- E.U.A. - 2013 - Recolhido em Cine Clube de Faro


TEMPORARIO 12-Destin Cretton- E.U.A. - 2013 - Recolhido em Cine Clube de Faro



 FICHA TECNICA

 Realização: Destin Cretton
 Interpretação: BrieLarson, Franz Turner, John Gallagher Jr.
 Ano:2013
 Duração: 96 m
 Origem: E.U.A.



 SINOPSE

 Num centro de acolhimento para adolescentes problemáticos, o dia-a-dia é vivido entre dramas, traumas e também algumas vitórias. A acompanhá-los está Grace (Brie Larson), uma supervisora dedicada e comprometida com a sua missão. No entanto, debate-se com os seus próprios fantasmas e, apesar de contar com o apoio incondicional de Mason (John Gallagher Jr.), seu colega e namorado, tem extrema dificuldade em confiar nos outros.

Um dia, dá entrada na instituição Jayden (Kaitlyn Dever), uma jovem tão dotada quanto potencialmente violenta. A força da ligação que se cria entre elas, associada a um acontecimento inesperado na vida de Grace, vai desencadear a libertação de que ela tanto precisa para se pacificar com o passado e, assim, conseguir abraçar o que o futuro lhe reserva.

 Escrito e realizado pelo norte-americano Destin Cretton, o filme acumulou várias distinções, incluindo o prémio para Melhor Actriz, para Brie Larson, no 66.º Festival Internacional de Cinema de Locarno.



sexta-feira, 21 de março de 2014

EU E TU, Bernardo Bertolucci, Itália, 2012


EU E TU, Bernardo Bertolucci, Itália, 2012

 
Texto Recolhido em «Cineclube de Faro»


SINOPSE
Lorenzo é um jovem solitário de 14 anos, diferente dos outros. Um dia, engana os pais e falta a uma viagem escolar para realizar o sonho de se esconder numa cave abandonada do prédio onde mora. Durante uma semana, pode finalmente evitar todos os conflitos e as pressões e comportar-se como um adolescente dito normal. A chegada inesperada da meia-irmã Olivia vai mudar tudo.


PREMIOS
Festival de Cinema de Cannes – Selecção Oficial – Fora de Competição
Lisbon & Estoril Film Festival - Selecção Oficial – Fora de Competição
TRAILER

CRITICA
Cineasta com uma obra que se desenvolve ao longo de meio século, o italiano Bernardo Bertolucci nunca deixou de lidar com os dramas mais íntimos da juventude: assim volta a acontecer no admirável «Eu e Tu», estreado em Cannes/2012.

Há uma obsessão central no cinema de Bernardo Bertolucci. Tem a ver com a juventude e poderemos, talvez, resumi-la numa pergunta: como é que os jovens refazem, ou renegam, as heranças dos pais?

Afinal de contas, encontramo-la disseminada por histórias tão diferentes como a do filho revoltado de «Antes da Revolução» (1964), a do filho à procura da herança política do pai em «A Estratégia da Aranha» (1970), ou ainda, claro, a dos filhos errantes nas paisagens urbanas de Maio 68 evocadas em «Os Sonhadores» (2003).

«Eu e Tu» demorou algum tempo a chegar às salas portuguesas (foi um dos grandes acontecimentos de Cannes/2012, extra-competição), mas ainda bem que chegou. Estamos, de facto, perante um objecto fundamental no interior dessa lógica filial do cinema de Bertolucci, contando a história insólita do diálogo secreto de Lorenzo (Jacopo Olmo Antinori) com a sua meia irmã Olivia (Tea Falco), por assim dizer tentando preencher a ausência dos adultos.


sábado, 8 de fevereiro de 2014

HISTORIAS QUE CONTAMOS - Texto Recolhido em «Cineclube de Faro»

 
HISTORIAS QUE CONTAMOS - Texto Recolhido em «Cineclube de Faro»
 
SINOPSE : A família de Sarah Polley, tal como todas as famílias, é tudo menos simples. Quando é revelado um grande segredo que a envolve directamente, ela é já conhecida pelo seu trabalho como actriz e realizadora. Agora, decidida a compreender a «verdade» e conhecer mais profundamente a sua falecida mãe, Polley decide questionar as pessoas mais próximas e fazer um documentário onde todos reflectem sobre o seu passado.
 
Assim, tentando decifrar as incoerências e os pontos comuns, a realizadora demonstra como cada história que contamos nunca deixa de ser, essencialmente, um ponto de vista particular.
 
Um documentário revelador e intimista sobre o amor e a verdade da memória, que conta com argumento e realização da actriz-realizadora canadiana Sarah Polley («Longe Dela») e narração de Michael Polley, o marido da sua falecida mãe.
 
PREMIOS
«Melhor Documentário», nos Prémios Genie 2013.
«Melhor Filme Canadiano», pela Associação de Críticos de Toronto 2013.
 TRAILER
 
 CRITICA
 
A partir de uma história familiar, a atriz canadiana Sarah Polley explora o modo como o cinema conta histórias.
 Conhecemos Sarah Polley mais como atriz (de filmes de Atom Egoyan, David Cronenberg ou Terry Gilliam) do que como realizadora - Longe Dela (2006), adaptação de Alice Munro que valeu a Julie Christie nomeação para o Oscar, saiu direto em DVD, Notas de Amor (2011) teve uma estreia confidencial no início deste ano.
 
Mas Histórias que Contamos, a sua terceira longa-metragem é, de muito longe, a sua obra mais interessante; e a sua estreia entre nós coincide com a de outros filmes que partilham a vontade de questionar o que reside por trás das histórias que contamos sobre a nossa vida. Na teoria, é um documentário sobre Diane, mãe da realizadora, atriz e diretora de casting que morreu de cancro ainda Sarah era menina.
 
Na prática, Histórias que Contamos transforma-se numa meditação sobre o modo como escolhemos contar ou registar as nossas próprias histórias, como procuramos que a nossa vida se enquadre numa narrativa precisa e linear.