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sábado, 6 de outubro de 2012

Santa Iria - A Feira de Faro - As origens da Feira de Santa Iria em Faro - Recolha e composição de Daniel Teixeira - As origens da Feira de Santa Iria em Faro

 
Santa Iria - A Feira de Faro - As origens da Feira de Santa Iria em Faro - Recolha e composição de Daniel Teixeira - As origens da Feira de Santa Iria em Faro
 
Apesar das profundas alterações sociais, económicas e culturais que se registaram na sociedade portuguesa ao longo das ultimas décadas, é curioso verificar que um pouco por todo o pais ainda subsistem feiras e romarias que, na era do consumismo global, da internet e dos centros comerciais, contribuem para manter viva uma parte da memória histórica das aldeias, vilas e cidades portuguesas. Neste sentido, a realização da Feira de Santa Iria não constitui excepção, representando o perpetuar de uma tradição que se perde no tempo.
 
Mas o que sabem os farenses sobre as origens da sua Feira de Santa Iria?
 
Durante alguns anos acreditou-se que teria nascido em 1596, com o objectivo de ajudar a cidade a ultrapassar a depressão económica em que havia mergulhado, consequência directa do ataque realizado pelos corsários Ingleses do Conde de Essex, que meses antes haviam roubado e incendiado a cidade. Esta opinião, defendida pelo Professor Pinheiro e Rosa, com base em fontes manuscritas do século XVIII, seria mais tarde contrariada pelo Professor Joaquim Romero Magalhães, para quem o ano de 1596 foi o ano da atribuição da franquia da Feira e não da sua criação.
 
A tese do Professor Romero Magalhães levanta por isso a questão da origem exacta da Feira de Santa Iria.
 
Dada a escassez documental existente, dificilmente saberemos um dia, ao certo, o ano em que se realizou a primeira Feira de Santa Iria. Contudo, alguns dados apontam para uma provável origem medieval. De facto, considerando a importância regional da cidade de Faro durante a idade média, e se levarmos em linha de conta a acção governativa dos Reis D. Afonso III e D. Dinis, responsáveis pela atribuição de um grande número de cartas de feira a diversas localidades portuguesas durante o século XIII, incluindo a de Loulé, cuja criação remonta a 1291, não seria de todo improvável que a feira de Santa Iria tivesse sido fundada em data bastante anterior ao ano de 1596.
 
 
 
 
 

 
 

Santa Iria - Lendas e Feira de Faro - Recolha e composição de Daniel Teixeira - Lenda de Santa Iria (II)

 
Santa Iria - Lendas e Feira de Faro - Recolha e composição de Daniel Teixeira - Lenda de Santa Iria (II)
 
Contam velhos documentos que na antiga Nabância nasceu um dia uma linda menina chamada Iria, ou Irene, filha de Hermígio e Eugénia, gente nobre da região. Educada por duas irmãs de seu pai, Iria entrou mais tarde para um mosteiro dirigido por seu tio materno, o abade Célio.
 
O abade apressou-se a ir falar-lhe:
- Minha filha… Sentes coragem de abandonar o mundo para te vires refugiar aqui?
 
 A donzela sorriu timidamente.
- Senhor meu tio, saiba que estou disposta a seguir apenas a vontade de Deus.
 Houve um ligeiro silêncio, em que os olhos do abade não deixavam o rosto da bela Iria. Por fim, falou:
- Louvo as tuas palavras. Velarei por ti. Mas… és nova e formosa… As poderosas tentações do mundo poderão vir ainda chamar-te!
 
 Que estranha luminosidade transformou a expressão de Iria ao ouvir as palavras do abade Célio! A sua voz perdeu toda a timidez.
- Nada receie, senhor meu tio. As tentações do mundo poderão chamar-me, que eu não as escutarei. Sou uma serva do Senhor… e nada mais pretendo ser.
- Pois que se faça a vontade de Deus, minha filha… Vai juntar-te às tuas companheiras. Elas esperam por ti.
 
Serenamente, tal como tinha entrado, a sobrinha do abade Célio retirou-se. A tarde perdia aquele dourado fulvo que dá calor aos corpos e uma sensação de confiança a quem a contempla. E a bela Iria, de cabeça reclinada, olhos postos nas lajes do convento, foi juntar-se às companheiras, levando no coração e nos lábios a mais pura das orações. A sua volta tudo era tranquilidade. Iria tinha o pensamento todo entregue a Deus e usufruía uma felicidade quase extra-terrena!