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quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Serões de Inverno - Escreve - António Afonso


Serões de Inverno - Escreve - António Afonso

 Para compreender melhor esta crónica, devemos situar-nos, em termos de tempo, nos anos 50 do século passado, num lugar remoto no Nordeste Algarvio, a rádio não era extensiva a todos, a televisão não tinha chegado e os outros meios de comunicação, alguns não tinham nascido.

 Ao final da tarde, ao regressarmos da escola, tínhamos de realizar tarefas que nos tinham sido confiadas previamente, como sejam: ir ao poço buscar água, alimentar os animais, preparar a lenha para alimentar a lareira durante a noite, etc. Conjugávamos então parcerias com os amigos e tudo se resolvia, airosamente, desta forma de ajuda mútua.

 Era à luz da candeia ou do Petromax, que iluminavam quase nada (por isso havia tantos meninos «curtos de vista»), que fazíamos os trabalhos de casa, auxiliados por os mais velhos que nos ajudavam na leitura de palavras esquisitas, problemas deveras bicudos, com várias casas decimais e torneiras que debitavam vários hectolitros por minuto e tanques com enormes capacidades, muito maiores que a capacidade mental de um aluno de dez anos. O meu preceptor era o António Miguel, rapaz metódico e aplicado que me tentava explicar aqueles enigmas.



domingo, 9 de fevereiro de 2014

João Fernandes, paradigma do anónimo pescador olhanense - Texto recolhido em in Algarve - História e Cultura - José Carlos Vilhena Mesquita

 
 
João Fernandes, paradigma do anónimo pescador olhanense - Texto recolhido em in Algarve - História e Cultura - José Carlos Vilhena Mesquita
 
João Fernandes, paradigma do anónimo pescador olhanense que correu os mares do mundo.
O povo de Olhão orgulha-se, ainda hoje, da grande epopeia que um grupo de pescadores locais empreendeu num frágil caíque, atravessando o temeroso Atlântico em direcção às terras de Vera Cruz, para dar de viva voz ao rei exilado, D. João VI, a boa nova da revolta dos olhanenses contra o jugo napoleónico. Foi um gesto heróico que pressagiou a libertação da pátria face à opressão militar dos franceses.
 
Esse é um facto histórico que todos os anos ali se comemora no dia 16 de Junho, considerado muito justamente como feriado municipal. Mas o que ninguém comemora é o dia do pescador ou do marítimo olhanense, que bem poderia ser assinalado no dia 19 de Agosto, data de nascimento do célebre Patrão Joaquim Lopes, verdadeiro paradigma da bravura e heroísmo das gentes de Olhão.
 
Em contraponto lembrei-me de trazer para a ribalta deste espaço a memória de um velho lobo do mar, cuja vida representa em si mesma a humildade e o sacrifício, mas também a tenacidade e a honradez do povo olhanense. Chamava-se João Fernandes, nasceu em Olhão e nunca conheceu outra vida que não fosse a do mar. Faleceu, anonimamente, sem pompa nem circunstância, em fins de Outubro de 1951, tinha então 85 anos de idade.
 
Era, à data da sua morte o decano dos pescadores portugueses ligados à faina do bacalhau. Começou em criança a enfrentar os perigos do mar nos velhos caíques de Olhão que sulcavam os mares de Larache, e foi ainda muito jovem que aceitou o desafio de partir num bacalhoeiro para os gelados e traiçoeiros bancos pesqueiros da Gronelândia.

Leia este tema completo a partir de 11 de Fevereiro carregando aqui.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Música que o Algarve criou - Recolhido em Livres Pensantes - «Quem Manda Aqui Sou Eu»

 
 
Música que o Algarve criou - Recolhido em Livres Pensantes - «Quem Manda Aqui Sou Eu»
 
«Quem Manda Aqui Sou Eu» é Tiago Pereira a mostrar a música que o Algarve criou e cria e é exibido este fim-de-semana (7/8/9 de Fevereiro) em Faro, Portimão e Castro Marim .

No portal A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria, encontramos um arquivo caleidoscópico daquilo que é, hoje, a paisagem musical do país. Sem organização por géneros, sem hierarquização, passamos do rock para as chulas, da chamarrita para o rap, do jazz para os travalínguas.
 
O projecto, iniciado em 2011, teve como um dos fundadores o realizador Tiago Pereira, também autor da maioria dos vídeos ali disponibilizados. Agora, Tiago Pereira decidiu começar a dar ordem à música que recolheu de Norte a Sul do país (e mar dentro até à Madeira e Açores).
 
«Quem Manda Aqui Sou Eu» é o novo filme do autor de «Tradição Oral Contemporânea ou Sinfonia Imaterial».
 
«Agarrei nas recolhas que tenho e tentei criar histórias com elas», explica Tiago Pereira. Região a região. Começando pelo Sul, pelo Algarve. O filme de cerca de 50 minutos será exibido esta sexta-feira na Tertúlia Algarvia, em Faro (22h30), sábado no Teatro Municipal de Portimão (21h30) e domingo no Auditório da Biblioteca Municipal de Castro Marim (15h).

«Quem Manda Aqui Sou Eu» mostra a música que o Algarve criou e cria. Ouvem-se rappers e acordeonistas, corridinhos e jazz que não é bem jazz. Ouve-se e vê-se mais que isso. Este é um filme de música e de palavra.


Leia este tema completo a partir de 11 de Fevereiro carregando aqui.

sábado, 8 de junho de 2013

Lenda «O Falso Juramento» - Por José Viale Moutinho, Lendas de Portugal

Lenda «O Falso Juramento» - Por José Viale Moutinho, Lendas de Portugal 
 
Esta lenda, intitulada: «O Falso Juramento» , é passada no Rio Seco - Faro, e retrata a história de uma lavadeira, a quem um mouro encantado lhe apareceu e a pediu em casamento.
 
Como a lavadeira não sucumbiu de imediato aos seus desejos, o Mouro, pediu-lhe que pensasse na sua proposta, e que lá voltasse no dia seguinte, pedindo-lhe que não contasse o sucedido a ninguém.
 
Apesar disso, a rapariga revelou à mãe o que se havia passado, tendo sido advertida pela mesma, que se trataria de um mouro encantado que veio até ela atraída pelo seu canto e recomendou à filha, que quando voltasse para se reencontrar com o mouro, deveria levar consigo, uma cruz, pois seria esta a forma de ver quais as intenções deste para com ela. Mais pormenorizadamente, se transcreve a lenda contada por José Viale Moutinho.
 
«De Harune o nome da terra foi a Haron, de Haron passou a Farão e só passando o século XVI é que o topónimo se estabeleceu em Faro. Pois ao tempo desta lenda ainda era Farão e o Rio Seco ainda era beneficiado com a entrada das marés.
 
Pois estão a ver essa graciosa rapariga que está a lavar um monte de roupa fina? - é a Joana, mas a roupa não é dela. A mãe contratou lavá-la a um jovem casal de posses residente em Farão e a filha é que faz o trabalho. E como ela canta!
 
Canta, mas vai pensando na sua vida. Apesar de tudo, bem lhe apetecia ser dona daquela roupa, banhar-se nas límpidas águas do rio e vestir tão belos linhos. Sim, que ela tinha a noção que não era nenhuma cara feia. Vaidosamente, Joana olhou as águas. E teve um estremecimento. Havia um homem junto de si!
 
Joana voltou-se e encarou-o. Era jovem e bonito. Mouro, decerto era da fortaleza que havia mais em cima. Cumprimentaram-se, ela enleada. Ele gabou-lhe a voz e disse que precisava falar-lhe, que deixasse a roupa que faltava lavar para o dia seguinte.





 

domingo, 12 de maio de 2013

Vila Real de Santo António e Santo António de Arenilha – Duas fundações, uma estratégia - Texto de Fernando Pessanha

 
Vila Real de Santo António e Santo António de Arenilha – Duas fundações, uma estratégia - Texto de Fernando Pessanha
 
O presente mês de Maio de 2013 assinala os 237 anos da maior e mais significativa edificação iluminista efectuada em Portugal: a fundação de Vila Real de Santo António.
 
Contudo, também este ano de 2013 assinala uma data da maior importância para a História local: os 500 anos da fundação de Santo António de Arenilha.
 
Ora, se o nascimento de Vila Real resultou da estratégia política, económica e territorial concebida pelo Marquês de Pombal, em finais de 1773, visando a afirmação do Estado português face ao Estado espanhol, que dizer da fundação de Arenilha?
 
Com efeito, a nova vila iluminista, inaugurada em 13 de Maio de 1776, pretendia reforçar a barreira natural que marca a divisão política e administrativa entre os dois reinos, para além de impedir o contrabando, a evasão fiscal e a livre pesca castelhana praticada no mar de Monte Gordo.
 
Porém, não foram os mesmos motivos que levaram D. Manuel I a mandar construir «nossa Villa darenilla que hora mandamos fazer e edifycar»? Sim, se bem que a fundação de Arenilha também pretendesse alertar as povoações vizinhas das investidas da pirataria moura, bastante activa na centúria de quinhentos.
 
A verdade é que muito se tem enaltecido a acção reformista (e mesmo despótica) do Marquês de Pombal, seguramente devido ao património edificado pombalino, como à proximidade cronológica que nos aproxima do século XVIII. Todavia, este espírito reformista e pretensamente iluminado pelas luzes da razão, não foi exclusividade do ministro de D. José I.
 
 
 
 

 
 

sábado, 11 de maio de 2013

Blogue Alcoutim Livre - José Varzeano - Campo de Futebol da Fonte Primeira

 
Blogue Alcoutim Livre - José Varzeano - Campo de Futebol da Fonte Primeira
 
Esta foto (abaixo) é dos princípios dos anos 60 do século passado e como o título indica é tirada no «estádio» da Fonte Primeira.
 
Trata-se de uma partida de futebol em que figura o Grupo Desportivo de Alcoutim, de camisolas listadas e outra equipa que desconheço mas que poderá ser, como era habitual, a equipa da vizinha Sanlúcar do Guadiana.
 
A foto representa a entrega de um ramo de flores por duas jovens, uma delas a alcouteneja Maria da Conceição, vulgo Bia Martinho, ao capitão do G. D. Alcoutim, Francisco António João, vulgo Chico Balbino.

No primeiro plano e do lado esquerdo o «extremo» local, uma das vedetas da equipa, José Francisco Cavaco que amavelmente nos cedeu a fotografia.
 
Nesta altura havia jovens para jogar futebol mas não havia um campo condigno; hoje não há jogadores mas existe um bom campo com tapete sintético.
 
São sopas depois de almoço, como diria o nosso saudoso amigo Luís Cunha.
O grande rossio da vila de Alcoutim foi encurtando pelos mais variados motivos e encontra-se hoje desaparecido.
 
Em tempos serviu para o povo recolher lenha, pastagem e amarração dos animais, principalmente de quem se dirigia à vila.
 
 
 

 
 

sábado, 6 de abril de 2013

Garcia de Melo – Alcaide-mor de Castro Marim e anadel-mor dos besteiros - Texto de Fernando Pessanha em Intento Memoriam

 
Garcia de Melo – Alcaide-mor de Castro Marim e anadel-mor dos besteiros - Texto de Fernando Pessanha em Intento Memoriam 
 
Já aqui referimos a figura de António Leite, Senhor de Arenilha, enquanto protótipo do cavaleiro português da era de quinhentos que, através da carreira das armas e dos serviços prestados à Coroa no Algarve Dalém, viu os seus esforços serem coroados com honras e títulos no Algarve Daquém.
 
Outro desses casos foi o de Garcia de Melo, alcaide-mor de Castro Marim e anadel -mor dos besteiros. Com efeito, as conquistas portuguesas em Marrocos implicaram, desde logo, a fixação de oficiais régios, muitas vezes pertencentes à pequena nobreza, para desempenharem cargos de chefia militar e administrativa nas praças lusas do Norte de Africa. Garcia de Melo foi um desses cavaleiros que, bem ao espírito da época, procurou promoção social através da carreira das armas no teatro de guerra hostil que era a presença portuguesa em Marrocos.

Sabemos que, em 1504, liderou um vitorioso ataque a Larache (العرائش), na altura um conhecido ninho de piratas que incansavelmente atacava as costas do Algarve.
Nesse ataque capturou cinco galeotas, dois bergantins e uma caravela, tendo incendiado uma galé e três outras caravelas.
 
Segundo «Garcia de Melo em Castro Marim…», de Luís Miguel Duarte, o fidalgo terá ajudado na construção da fortaleza de Santa Cruz do Cabo de Gué (actual Agadir أڭادير), em 1505. Em 1508, encontramo-lo como anadel-mor dos besteiros de Arzila (أصيلة), e no mesmo ano participou na conquista de Safim (آسفي), tendo depois sido encarregado da defesa marítima da praça recém-conquistada.
 
Não sabemos, ao certo, em que ano foi investido com a alcaidaria de Castro Marim, contudo, uma carta que foi datada de 1509 (A.N.T.T., Gaveta 20, Maço V, nº 14), apresenta-o como alcaide-mor desta praça de guerra do Algarve, nesse mesmo ano.
 
 
 
 

 

sábado, 23 de março de 2013

Os pinta-santos algarvios

 
Os pinta-santos algarvios
 
Os pinta-santos ou faz-santos algarvios surgiram no século XIX. O seu objectivo era reproduzir as imagens feitas pelos imaginários, sobretudo, o Menino Jesus e o Jesus crucificado, no Algarve, chamado Pai do Céu. Até à primeira metade do século XX, os pinta-santos, artesãos populares, alimentaram, com as figuras que criavam, a piedade do povo.
 
Os pinta-santos exerciam a profissão de abegão ou carpinteiro; outros eram camponeses e marítimos. Durante o Inverno, dada a impossibilidade de ganhar a vida, ocupavam o tempo fazendo as tradicionais imagens do Menino Jesus, do Pai do Céu e do Santo António. Outros já não trabalhavam, devido à idade avançada, mas entretinham-se a fazer estas figuras para oferecer a familiares e amigos.
 
Tavira foi, outrora, um grande centro de pinta-santos, sendo que a maior parte destes artesão se concentravam na freguesia de Santa Catarina da Fonte do Bispo. Alguns desses pinta-santos popularizaram-se como foi o caso de José Martins Murteira, Faustino José Bernardo e Ventura das Neves, no entanto, grande parte dos pinta-santos algarvios ficaram no anonimato.
 
As figuras construídas pelos pinta-santos têm todas elas uma ou outra particularidade que vai de encontro com o imaginário dos seus criadores, contudo quase todos colocam o Menino em cima de uma peanha formada por uma pequena escadaria ou trono. Observando as figuras podemos também constatar a pobreza de meios, sendo pelas tintas utilizadas ou pela sóbria decoração. Os pinta-santos trabalhavam para os devotos do povo, que tinham em suas casas figuras construídas por eles, enquanto que as famílias mais abastadas possuíam imagens vindas de fora.
 
 
 
 

 

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Blogue Alcoutim Livre - José Varzeano - Lavatório de ferro (simples)

 
Blogue Alcoutim Livre - José Varzeano - Lavatório de ferro (simples) 
 
Vamos apresentar hoje o tipo de lavatório de ferro, o mais simples que conhecemos e que se destinava ou destina principalmente a lavar as mãos.
 
Muito usado no concelho de Alcoutim quando não havia a distribuição de água ao domicílio e possivelmente pela maior parte do país.
 
Os dois modelos que apresentamos são semelhantes mas se reparar-mos bem têm algumas diferenças.

Começamos pelo formato do ferro que suporta o espelho e um pouco mais abaixo no destinado a colocar as toalhas ou pano das mãos como muitas vezes acontecia. São notórias as diferenças.
 
O «corpo» do lavatório num e noutro exemplar também não é igual.
 
O círculo superior destina-se a suportar a bacia de esmalte e por vezes de barro. Estreitando os três ferros que seguram a bacia, dão lugar a um pequeno círculo destinado a colocar uma peça em esmalte furada que se destina a colocar o sabão.
 
Os três ferros estruturantes voltam a abrir o suficiente para quando voltarem a estreitar poderem receber o balde igualmente de esmalte ou de barro. Ao lado, estava o jarro, do mesmo material que continha a água limpa para utilizar.
 
Quem viveu esses tempos sabe que ir buscar água ao poço que normalmente ficava distante e numa baixa, onde corriam lençóis freáticos, era trabalhoso e a água tinha de ser muito bem gerida. Nesse sentido, só se deitava fora a água da bacia quando estivesse muito suja.
 
 
 
 

 

domingo, 10 de fevereiro de 2013

O Rei Poeta Al Mutamid – Governador de Silves e Rei de Sevilha - Texto de Fernando Pessanha

 
O Rei Poeta Al Mutamid – Governador de Silves e Rei de Sevilha - Texto de Fernando Pessanha
 
Poucos foram os soberanos muçulmanos do Gharb al-Andaluz cujos nomes conseguiram resistir às ameaçadoras brumas do esquecimento.
Um destes soberanos foi o célebre Muhammad Ibn Abbad Al Mutamid (المعتمد بن عباد), frequentemente conhecido como rei-poeta Al Mutamid; um dos mais distintos e eloquentes poetas do al-Andaluz.
 
Al Mutamid nasceu em Beja, no ano de 1040, e era filho de Al Mutadid, o poderoso rei da taifa de Sevilha que ficou conhecido por adornar o seu jardim com as cabeças dos seus inimigos e por ter mandado matar um dos seus próprios filhos, Ismail, que conspirava contra ele.
 
Quando o pequeno reino taifa de Silves sucumbiu perante a ofensiva do rei abádida de Sevilha, o jovem Al Mutamid, que então teria apenas 13 anos, foi deixado a governar o território que compreende o actual Algarve.
 
Foi durante o governo de Al Mutamid, em Silves, que a cultura floresceu e que surgiram outros poetas na sua corte, como ibn al-Milh, al-Mississi, ou o controverso ibn Ammar, por quem o jovem viria a desenvolver uma profunda amizade (que não teve final feliz…).
 
Contudo, a morte de seu pai fez com que Al Mutamid se visse obrigado a deixar o Algarve e a voltar para Sevilha, de onde passou a dirigir o seu reino.
 
A verdade é que todas as disputas entre os vários reinos taifas do al-Andaluz vieram facilitar as investidas dos reinos cristãos. Em 1085, Afonso VI de Castela conquistava Toledo, e no inverno seguinte já preparava o cerco a Saragoça.
 
Perante a ameaça que representava Afonso VI de Castela, Al-Mutamid viu-se obrigado a pedir auxílio aos almorávidas, gente robusta e dura do sul de Marrocos, contra as recomendações dos seus conselheiros.