Mostrar mensagens com a etiqueta Cinema Novo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cinema Novo. Mostrar todas as mensagens

sábado, 3 de agosto de 2013

A Falecida (1965) - Texto Recolhido em Cinema Pela Arte

http://static.blog4ever.com/2011/04/481789/artfichier_481789_2136875_201305113634897.jpg
A Falecida (1965) - Texto Recolhido em Cinema Pela Arte
 
«A Falecida» tinha isso, a minha convivência com o subúrbio e mais os problemas de autodestruição da mulher, o desemprego, a alienação, a presença do futebol, valores que vi de perto. Por isso, me apaixonou mesmo fazer.» — Leon Hirszman
 
O desejo da morte como o ápice da resignação
 
 No mínimo é interessante que Leon Hirszman tenha filmado «A Falecida» (1965), peça de Nelson Rodrigues sobre a morte desejada, após um acidente automobilístico sem graves consequências, mas suficientemente sério para explicitar a tenuidade da vida.
 
Foi mesmo logo após o acidente na pista molhada da Lagoa, bairro do Rio de Janeiro, que Leon, provavelmente com o coração ainda acelerado, viu-se diante da possibilidade de realizar seu primeiro longa-metragem — Billy Davis, que estava à procura de Leon, fez o convite ali mesmo, durante o encontro fortuito.
 
Glauber Rocha abriu caminho para Hirszman quando resolveu abandonar a direção de «Senhora dos Afogados» por preocupação com o próprio temperamento, sua saída de cena foi seu modo de prevenir uma contenda muito provável entre autor e autor (Glauber, inflexível, e Nelson, criador da peça).
 
Após denunciar com o severo curta «Maioria Absoluta» a penúria de milhões de analfabetos, trabalhadores braçais do Brasil iníquo, Leon Hirszman, como um fiel sequaz do movimento cinemanovista, sente-se atraído pela alienação disseminada no subúrbio carioca, cenário de «A Falecida», peça estimulante também pelo seu viés psicanalítico.
 
Se Glauber mostrou-se ideal para reger «Senhora dos Afogados», Leon tinha evidente compatibilidade com «A Falecida». Filmar a trajetória lúgubre de Zulmira significou o retorno do cineasta ao convívio com a vida suburbana, projeto cinematográfico que lhe facultou a oportunidade de um segundo olhar sobre a obsessão pelo futebol, fomentador da alienação coletiva, alívio prejudicial para muitos desempregados, e sobre o lugar de submissão e menoscaso que era reservado para a mulher.






sexta-feira, 7 de junho de 2013

GLAUBER ROCHA - GENIAL CINEASTA- O PAI DO CINEMA NOVO. - Por Arlete Deretti Fernandes


GLAUBER ROCHA - GENIAL CINEASTA- O PAI DO CINEMA NOVO. - Por Arlete Deretti Fernandes
 
Glauber de Andrade Rocha (Vitória da Conquista, 14 de março de 1939 — Rio de Janeiro, 22 de agosto de 1981)   Faleceu aos 42 anos. O génio não morre.  O maior cineasta da História do Brasil. O cosmopolita que nunca deixou de ser sertanejo.  
 
Glauber Rocha, romancista, poeta, jornalista, cineasta e intelectual. Foi ícone de uma geração.  Era considerado um vulcão intelectual.. Tudo fazia com paixão. A angústia intelectual o caracterizava. Costumava dizer: -«Não me cobrem coerência.»   O cineasta era provocador, para fazer refletir, polêmico e inovador. Um grande pensador de sua geração. Ele era um homem indomável, agia sem peias e sem conveniências. Poucas pessoas amaram tanto este país. Enfrentou muitas incompreensões e fanatismos.
 
Sempre trabalhou as raízes culturais de nossa gente. Em seus filmes apareciam a miséria, os casebres, os tipos humanos.   O cinema foi a sublimação de Glauber. Como poeta, ele dizia que a poesia antecedeu a Criação, pois foi ela que fez a luz e a beleza. Na poesia descobriu um mundo de luzes nas trilhas sonoras.
 
Glauber de Andrade Rocha foi um dos integrantes mais importantes do cinema novo, movimento iniciado no começo dos anos 1960. Com o princípio de «uma câmera na mão e uma idéia na cabeça», deu uma identidade nova ao cinema brasileiro.  
 
Em 1957, Glauber entrou para a Faculdade de Direito da Universidade da Bahia, que cursou até terceiro ano. Com poucos recursos, filmou «Pátio», utilizando sobras de material de «Redenção», de Roberto Pires. Em 1958, trabalhou como repórter no Jornal da Bahia, assumindo depois a direção do Suplemento Literário.
 
Também publicou artigos sobre cinema no «Jornal do Brasil» e no «Diário de Notícias». Em 1960, nasceu sua primeira filha, Paloma. Apesar disso, separou-se de Helena um ano depois.   Trabalhou na produção de «A Grande Feira», de Roberto Pires e de «Barravento», de Luiz Paulino dos Santos, filme que acabou dirigindo depois de refazer o roteiro.