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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Preferências vocabulares - Por Arlete Deretti Fernandes


Preferências vocabulares - Por Arlete Deretti Fernandes 

 Fato provado é que falando ou escrevendo deixamos transparecer a nossa preferência para certos vocábulos ou torneios de expressão.

Afirmou o cronista Francisco Pati no antigo CORREIO PAULISTANO, que «quando se escolhe a obra completa de um escritor para uma romaria às regiões do estilo, acabamos descobrindo predileções vocabulares que constituem ou acabam constituindo verdadeiros «cacoetes».

O jornalista estava a ler «OS POBRES» do grande escritor português Raul Brandão e achou-lhe uma elegante preferência pela palavra dedada, citando alguns exemplos que aqui escrevo:

Ao descrever um banco de hospital, diz que há nele «nódoas de sangue, dedadas de aflição e suor de desgraçados que se entranhou na madeira».

Outra questão: «De que ruínas se constroem estes seres que o destino marcou com dedadas trágicas?».

Mais este: «Só a morte ainda restava intata, sem dedadas na sua roupagem negra, com todo o seu mistério e toda a sua beleza».

O próprio Pati disse o porque da preferência: «A predileção explica-se pela sua arte de escultor. Raul Brandão vive, com efeito, a dar dedadas nos seus personagens, para acentuar-lhes a expressão das respectivas máscaras.»

Quem ouviu ou leu Dom Aquino Correia percebeu logo a sua preferência para certos modos de dizer que bem o caracterizavam dentre os demais escritores ou oradores. Eram muito frequentes nele, por exemplo, os ...que se me dá, os dir-se-ia, os em meio a, os em flor e outros.



 

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Poesia de Arlete Deretti Fernandes - Poema da vida; Amigos virtuais


Poesia de Arlete Deretti Fernandes - Poema da vida; Amigos virtuais 


 Poema da vida

 

 Dia e noite, noite e dia,
Assim segue o ritmo da vida.
Buscas, delírios,
Dores, martírios.

Nesta curva da estrada
 A felicidade me esperou.
 O sonho virou realidade,
 Meu lar aqui se formou.

 Família, esposo e filhos,
Emoções tantas encontrei.
 Sucedem-se os dias,
 O sol, o verde, a chuva e as estações.

 Ali, as folhas que caem,
 Aqui, as folhas que brotam.
 O poema da vida
Escrito em um grande cartão.

 A infância, a adolescência,
 A juventude, a vida adulta.
«Nossos filhos não são nossos filhos,»
Como disse um dia Gibran .

 Como a árvore que plantei,
As sementes que vi brotar,
 Cresceram e seus caminhos
 Um dia foram procurar.

Hoje espero ouvir o telefone,
 O skipe, o Messenger, um email.
 Como não sentir saudades
 Do barulho das crianças?

Este ninho ficou vazio,
 Procuro-os por todos os cantos.
 Enquanto em meu jardim vejo
 Pássaros voando constantes.

Passam dias, meses e anos.
 Os rios correm para o mar,
 Lá fora o poema da vida
 Continua a se renovar.


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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A CIDADE E AS SERRAS de Eça de Queirós - Por Arlete Deretti Fernandes


A CIDADE E AS SERRAS de Eça de Queirós - Por Arlete Deretti Fernandes 

 é sempre enriquecedor conhecer a Obra de um dos maiores escritores portugueses, Eça de Queirós.

 Seu romance «A Cidade e as Serras» traça um paralelo entre a civilização em que o escritor sempre vivera e a pureza rústica dos costumes que principiara a apreciar com as suas estadas na quinta do Douro, propriedade da família, depois da morte da sogra, a Condessa de Resende. Este livro, por seu idealismo pode fazer lembrar A Morgadinha dos Canaviais, de Júlio Diniz. O crítico Alberto de Oliveira é que sugere o paralelo.

 Este último romance de Eça impõem-se pelas belas descrições e as serenas evocações da serra portuguesa em contraste com os requintes de uma civilização que fizera de Jacinto o herói de «A Cidades e as Serras», «a primeira mentalidade nacionalista do romance português», segundo João Gaspar Simões.

 Eça pode ter castigado sua pátria, nas críticas que a ela fizera, mas exaltou-a após, esquecido de que o seu atraso só era benéfico para quem o podia usufruir no meio da riqueza, e para desfastio de um cansaço de civilização.

 O romance «A Cidade e as Serras» foi publicado em 1901, um ano após a morte do seu criador, Eça de Queiroz, o mais importante escritor realista português (1845 - 1900). Trata-se de uma obra semi-póstuma, onde 65 por cento do escrito chegou a passar pelo crivo do romancista. Com a sua morte, Ramalho Ortigão revisou e não alterou o enredo, que tinha sido originado no conto «Civilização».


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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Luiz Vaz de Camões - Escreve Arlete B. Deretti Fernandes


Luiz Vaz de Camões - Escreve Arlete B. Deretti Fernandes 

 Poderíamos chamá-lo de «cavaleiro letrado». Nele sempre existiu o ideal cavaleiresco e o ideal humanista.

Se, de um lado a teoria do amor solucionava as questões ligadas à existência pessoal, do outro restava a questão do homem português como coletividade. Foi isto resolvido nos Lusíadas.

 Luiz Vaz de Camões é o maior nome da Literatura Portuguesa, como poeta épico e lírico e um dos maiores da literatura mundial. E é comparado a Cervantes e a Sheakspeare.

 A vida de Camões não é uma simples indicação de dados biográficos. Está ligada a todos os acidentes históricos da nacionalidade portuguesa. O grande escritor teve um caráter inquieto e uma vida tempestuosa. Acabou sendo personagem de sua epopéia.

 Camões cultivou os três géneros da poesia

 Camões lírico.

 O alemão Shlegel afirmou que Camões vale por si só uma literatura inteira. E. Stork declara que ele não é apenas o maior lírico português, mas um dos maiores de todos os tempos.

 Seus sonetos são elegantes, profundos, cheios de humanidade. Seus poemas expressam sentimento, amor, ternura e desilusão, entusiasmo, desespero e esperança.

 Seus poemas líricos se apresentam como sendo de primeira grandeza. Foram reunidos e publicados sob o título de Rimas, em 1595, quinze anos após a morte do poeta.


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sábado, 27 de setembro de 2014

Poesia de Arlete Deretti Fernandes - A Quem muito amei; Bolinhas de sabão; Sementes de Amor; Sonho


Poesia de Arlete Deretti Fernandes - A Quem muito amei; Bolinhas de sabão; Sementes de Amor; Sonho 



A Quem muito amei

 

 Queria ser uma flor, a rosa.
 De todas a mais delicada.
 Queria ser pedra preciosa
 que cintila ao sol, na madrugada.

Ao surgir de seus primeiros raios,
 a iluminar a natureza inteira,
 eu saio a vagar, a procurar-te,
 até chegar a lua branca e faceira.

Meu destino será amar-te para sempre,
 a plainar pela imensidão do Universo,
 qual ave a chamar a companheira.

Esta cicatriz jamais se fechará,
 espero encontrar-te em outra vida,
 minha saudade só assim se aplacará.

Arlete Deretti Fernandes



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Viva a Itália, viva Garibaldi!!! - Por Arlete Brasil Deretti Fernandes


Viva a Itália, viva Garibaldi!!! - Por Arlete Brasil Deretti Fernandes

Três horas da manhã.

Pasquale tinha bebido todas, mesmo assim trocando as pernas acertou o caminho de casa. Enquanto caminhava estabelecia seu monólogo e oferecia seus brindes: - Per Baco! Per l´Itália, l´ Itália, Garibaldi!!!

 No caminho encontrou um vira-latas e disse-lhe:
- Tu, figlioli dum cane.
E Pasquale cantava a canção «Dall´Itália noi siamo partiti».

Ele entrou em casa, sem problemas, a porta sempre ficava encostada. Colocou na antiga vitrola uma música italiana e dirigiu-se ao quarto de dormir:

-Levanta, Colomba, vamo festejare L’Itália, Garibaldi.

 E ela obedecia. Para não incomodar-se mais. Dançavam muito, até Pasquale não agüentar mais e jogar-se numa poltrona.

 No dia seguinte Pasquale dirigiu-se ao armazém, distante de sua casa. Passou antes no bar. Tinha que tomar um vinho para afogar as lembranças de sua pátria que para trás deixou ainda criança.

 Depois de certo tempo, saia para a rua e fazia seu teatro com uma garrafa de vinho à mão:

- Per Baco! Viva l´ Itália! Viva Garibaldi!



sábado, 15 de fevereiro de 2014

Poesia e prosa de Arlete Deretti Fernandes - Alquimia (Poema) ; Cheiro de Manacá (Prosa)

 
 
Poesia e prosa de Arlete Deretti Fernandes - Alquimia (Poema) ; Cheiro de Manacá (Prosa)
 
Alquimia

Como forte luz que cintila, sinto-te arder.
 Em torno de ti giram meus pensamentos,
 Como a mariposa em volta da lâmpada
 Atraída pelo brilho que me faz aquecer.

Alento e força me ofereces como o oxigénio
 Que entra em meu sangue e dá-me a vida.
 É um composto de amor, de aroma doce,
 Este que se desprende do riso de tua boca,

Do teu gosto, teu perfume, da roupa que vestes,
 Da água em que lavas teu rosto.
 Melhor ainda a alquimia quando me despes.

E sinto a mistura do meu e de teu corpo,
 Da pele, dos poros, do cheiro de amor,
 Transformação completa, clarão abrasador!
 
 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

A árvore das palavras - De Teolinda Gersão - Por Arlete Deretti Fernandes

 
A árvore das palavras - De Teolinda Gersão - Por Arlete Deretti Fernandes
 
Teolinda Gersão nasceu em Coimbra, estudou Germanística e Anglística nas Universidades de Coimbra, Tuebingen e Berlim. Foi leitora de Português na Universidade Técnica de Berlim, docente da Faculdade de Letras de Lisboa e posteriormente professora catedrática na Universidade Nova de Lisboa, onde lecionou Literatura alemã e Literatura Comparada até 1995.
 
Doutorou-se em 1976 defendendo uma tese intitulada Alfred Doblin: Indivíduo e Natureza. Teolinda começou a escrever com apenas catorze anos. Influenciada por formas várias de cultura e, dentro destas, pelo contato com diversos mundos (citadino e rural), a sua escrita está marcada pelas viagens e estadas em diferentes lugares, entre os quais se salientam a Africa e o Brasil.
Autora de nove livros ganhou os principais prêmios literários portugueses. Sua obra foi traduzida para o inglês, francês, alemão, holandês, espanhol e romeno.

Três de seus livros foram adaptados ao teatro e levados à cena, Os teclados e os Anjos, em Lisboa. A Casa da Cabeça de Cavalo, no Teatro Nacional de Bucareste, na Roménia.
 
BREVE COMENTARIO SOBRE SUAS OBRAS

Esta autora abriu caminho para o romance contemporâneo em Portugal. Seus livros mostram aspectos da sociedade contemporânea, mesmo quando a ação é transportada para épocas diferentes.
 
Em quase todas as suas obras aparecem dois mundos diferentes, o do homem e o da mulher. Esta diferença é o resultado da opressão da sociedade que obriga os dois sexos a conformarem-se com papéis convencionados.

Leia este tema completo a partir de 11 de Fevereiro carregando aqui.
 
 

domingo, 15 de setembro de 2013

POESIA - Arlete Deretti Fernandes - Os mistérios da noite; O pó das estrelas

 
POESIA - Arlete Deretti Fernandes - Os mistérios da noite; O pó das estrelas
 

Os mistérios da noite

 
 Noite escura e silenciosa,
 Ouço o bailado suave de uma folha que cai.
 Os mistérios da escuridão passeiam de galho em galho,
 De astro em astro, nas órbitas siderais.

Mais adiante um pássaro noturno pia,
 Uma ave corta veloz os ares.
 O boitatá lança labaredas ao longe,
 a mula sem cabeça e o saci-pererê saem correndo.

A coruja, na caça aos ratos, que deixam
Na urina fluorescente seus rastros.
 Ao capturar sua presa, para o alto retorna
 E novamente põe-se a espreitar.

Recolho-me ao meu recinto.
 E o tic-tac do relógio no silêncio do quarto,
 Parece-se com um carrilhão.
 Uma lagartixa corre a parede em diagonal.

Da janela agora aberta, vejo no espaço sideral
 Milhares de pontos brilhantes. A nuvem escura recuou.
 E o borborinho dos pequenos seres, ouço agora.
 Uma rã coacha e formigas surgem do nada.

Quem sou, quem fui, onde estou?
 Pus-me a subir e lá de cima enxerguei.
 Nuvens algodoadas e mares imensos.
 - Quem sou eu, neste universo sem fim?
 
 
 
 
 

sábado, 7 de setembro de 2013

MARCIANITA - Crónica de Arlete Deretti Brasil Fernandes

 
MARCIANITA - Crónica de Arlete Deretti Brasil Fernandes
 

Há muitos anos, residi com minha família numa cidade interiorana onde havia um grande porto marítimo e pesqueiro. O povo cultivava tradições açorianas, por terem os seus antepassados vindo da Ilha dos Açores.

Como toda boa cidade portuária, não faltava ali a ZBM, ou zona do baixo meretrício, que uns chamavam de «casa das primas», para outros «zona» ou mesmo outros nomes que prefiro não citar. Dizem que a atividade principal ali realizada é o exercício da profissão mais antiga do mundo.

Também fui informada de que uma zona não é muito diferente da outra. São aglomerados de casas, algumas só vendendo bebidas e cigarros e outras só com quartos para rotatividade. Tinha algumas que eram completas, com lanchonete, cômodos, bar e salão de baile.

O fato que a mim foi relatado aconteceu no mês de agosto, época de safra de enchovas e daquele vento nordeste que geme, grita e assobia como um louco, sem parar, varrendo tudo o que tem pela frente.

Foi numa noite sem estrelas. Tripulantes de pesqueiros chegavam para passar horas de prazer e de orgia nos braços das «flores da noite», deixando ali suas frustrações e seus temores de tempestades quando tinham que invocar a Santa Bárbara e o São Jerônimo.

O ponto de partida para uma noite de orgia e de prazer foi iniciado no salão de danças. E é ali que recomeçava tudo a cada noite. Os sacerdotes e sacerdotisas de Baco bebiam, dançavam, comiam e esqueciam os perigos do mar.
 
 
 
 
 
 

sábado, 24 de agosto de 2013

Estudo do Livro «Memórias Póstumas de Brás Cubas», de Machado de Assis. -

 
Estudo do Livro «Memórias Póstumas de Brás Cubas», de Machado de Assis. -  Arlete Deretti Fernandes
 
 A forma errática e o olhar de classe.
- Brás Cubas, era filho de uma família que não era nobre, mas se fez de nobre. Voltado às aparências. Tinha a mentalidade da classe aristocrática: - Queria subir e ser deputado.
 
Eugênia, significa a sociedade da época.
-E é preciso saltar fora da visão de Brás Cubas personagem, senão ficamos restritos. Necessário é interpretar o que Machado quer dizer e aonde quer chegar. Este livro traz uma extraordinária percepção psicológica e sociológica em relação à sociedade do século XIX.
 
Memórias Póstumas de Brás Cubas, é considerado o primeiro grande romance da Literatura Brasileira, e, a primeira Obra Prima do século XIX, segundo Roberto Schwarz.
 Este romance quebra radicalmente com as formas do romance romântico e também naturalista. Quem ousou até então escrever um capítulo como o LV, «O Velho Diálogo de Adão e Eva»?
 
Machado não é linear neste romance, segue a forma ziguezagueante. Os episódios são difusos e fragmentados. São sub - enredos, várias histórias numa só. Ele diz que seu estilo é ébrio. São capítulos curtos, alguns de resistencias. Quebra com a verosimilhança.
 
O texto é todo quebrado, não tem começo nem fim. O primeiro capítulo já é o óbito do personagem. O leitor comum do século XIX muito deve ter estranhado. Machado quer reinventar o mundo e rompe com uma tradição da época.
 
 
 
 
 
 
 

domingo, 28 de julho de 2013

CRUZ E SOUZA - Por Arlete Deretti Fernandes

 
CRUZ E SOUZA - Por Arlete Deretti Fernandes
 
João da Cruz e Souza era filho de escravos negros, nascido em Desterro, atual Florianópolis, em 1861. Ele foi o Mestre do Simbolismo Brasileiro, é um alto patrimônio nacional e tem a mais alta consideração internacional...
 
Seus conterrâneos, muitas vezes, contentam-se em dar seu nome ao Palácio Cruz e Souza e a um considerado Prêmio de Literatura. Para o escritor e Professor de Literatura da Universidade Federal de Santa Catarina, Lauro Junkes, «a melhor homenagem que podemos prestar-lhe é ler, apreciar e valorizar sua obra.»( p. 17). Cruz e Souza foi um ser que viveu para a poesia. Passou a sua existência para poemas. Sofreu a tortura estética.

O grande poeta foi educado até a adolescência pelo Marechal Guilherme Xavier de Souza, dono e posterior libertador de seus pais. De seu protetor recebeu as melhores condições e estímulos para o estudo. Concluiu o curso secundário em 1876. O renomado cientista Fritz Muller foi um de seus professores.

João Cruz e Souza deixou os estudos quando o protetor morreu. Passou a militar na imprensa catarinense, escrevendo crônicas abolicionistas. Empregou-se no comércio e fez parte de um grupo de literatos catarinenses., junto com os quais lutou pela implantação das idéias e da estética realista, em oposição ao desgaste do Romantismo.

Escreveu seus primeiros poemas em 1879. Em 1881 percorreu o país como «ponto» de uma companhia teatral. Seu livro de poemas «Cambiante», não chegou a ser publicado, seus poemas foram incorporados ao «Livro Derradeiro».

Em 1885 voltou para Desterro, onde assumiu a direção do jornal «O Moleque», dinamizando-o , mas sofrendo restrições devido ao preconceito de cor. No mesmo ano estreou com o escritor Virgilio Várzea o livro «Tropos e Fantasias».
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Poesia e Prosa Poética de Arlete Deretti Fernandes - O Tempo e o Vento (poema); Existe a Felicidade? (Texto)

 
Poesia e Prosa Poética de Arlete Deretti Fernandes - O Tempo e o Vento (poema); Existe a Felicidade? (Texto)
 
 O Tempo e o Vento
 
 Nostálgico por de sol a ir-se embora,
 A noite sobe alta, e é só ternura e meiguice.
 Pedras preciosas brilham no espaço agora.
 
O tempo que temos é curto e muito breve.
 Beijas-me o colo com teu hálito morno,
 Acaricio com meu lábio quente a tua derme.
 
 Passa o murmúrio sussurrante do vento,
 Que de longe suspira lúbrico e insinua:
 Não quero vacilar entre a dúvida e o desejo.
 
 Há pausas e suspiros em seus mistérios,
 Agora a voz do vento bem distante grita:
 Leva-a contigo para onde fores.


Leia este tema completo a partir de 29 de Julho carregando aqui.





 





sábado, 6 de julho de 2013

Uma Ilha do Atlântico Sul - Por Arlete Deretti Brasil Fernandes

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Uma Ilha do Atlântico Sul - Por Arlete Deretti Brasil Fernandes       
 
Viver nesta ilha por opção é muito bom. E uma terra de contrastes, onde a agitação da vida moderna convive com a placidez das comunidades do interior.  
 
Zininho estava coberto de razão quando cantou este «pedacinho de terra perdido no mar». A música e a letra são inesquecíveis.  
 
A velha figueira da Praça XV abre seus braços verdes para acolher e dar a sua sombra a todos que para cá vêm à procura deste idílico paraíso que já foi em outras épocas propriedade espanhola.  
 
Franklin Cascaes, como escritor e artista plástico registrou costumes, narrou contos, compôs poesias, desenhou e esculpiu a cultura açoriana. Sua arte é hoje comparada à de Goya.
 
No Carnaval que passou, um conto de Cascaes foi o tema do enredo da Escola de Samba Grande Rio. O nome Jurerê , tem história e tradição, pois era um dos nomes dado à Ilha, pelos Carijós. Seu nome completo era, Y-Jurerê-Mirim, significando Boca d'água Pequena, em relação ao estreito central, que a separa do continente.  
 
Praias belas e em quantidade têm por todos os lados. Desde as mais sofisticadas às mais populares.  O Criador sabia a beleza da arte que estava a esculpir, no momento em que desgrudou da Serra do Mar este pedaço de terra.   Assim é a Ilha de Santa Catarina, a principal de um arquipélago de 30 ilhas. Deliciosa fatia do paraíso, com 523 Km2 de verdes encostas, lagoas e praias e com 18 kms de largura.
 
 
 

 

domingo, 23 de junho de 2013

Poesia de Arlete Deretti Fernandes - História de um menino. (baseada em fatos reais).; A Sabedoria do Universo.

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Poesia de Arlete Deretti Fernandes - História de um menino. (baseada em fatos reais).; A Sabedoria do Universo.  
 
História de um menino.
(baseada em fatos reais).  
 
Eu soube da dor do menino
Que perambulava pela rua
Porque estava sozinho.
 
Magoado, perdido no mundo.
Menino amável... querido,
Ainda era uma criança.
 
Fora escorraçado de casa,
O pai, não trabalhava, bebia,
E em toda a família batia.
 
Tristeza havia no olhar do menino.
Rendido, sem compreender se coibia,
pela falta de lógica das coisas que via.


Leia este tema completo a partir de 24 de Junho carregando aqui.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

GLAUBER ROCHA - GENIAL CINEASTA- O PAI DO CINEMA NOVO. - Por Arlete Deretti Fernandes


GLAUBER ROCHA - GENIAL CINEASTA- O PAI DO CINEMA NOVO. - Por Arlete Deretti Fernandes
 
Glauber de Andrade Rocha (Vitória da Conquista, 14 de março de 1939 — Rio de Janeiro, 22 de agosto de 1981)   Faleceu aos 42 anos. O génio não morre.  O maior cineasta da História do Brasil. O cosmopolita que nunca deixou de ser sertanejo.  
 
Glauber Rocha, romancista, poeta, jornalista, cineasta e intelectual. Foi ícone de uma geração.  Era considerado um vulcão intelectual.. Tudo fazia com paixão. A angústia intelectual o caracterizava. Costumava dizer: -«Não me cobrem coerência.»   O cineasta era provocador, para fazer refletir, polêmico e inovador. Um grande pensador de sua geração. Ele era um homem indomável, agia sem peias e sem conveniências. Poucas pessoas amaram tanto este país. Enfrentou muitas incompreensões e fanatismos.
 
Sempre trabalhou as raízes culturais de nossa gente. Em seus filmes apareciam a miséria, os casebres, os tipos humanos.   O cinema foi a sublimação de Glauber. Como poeta, ele dizia que a poesia antecedeu a Criação, pois foi ela que fez a luz e a beleza. Na poesia descobriu um mundo de luzes nas trilhas sonoras.
 
Glauber de Andrade Rocha foi um dos integrantes mais importantes do cinema novo, movimento iniciado no começo dos anos 1960. Com o princípio de «uma câmera na mão e uma idéia na cabeça», deu uma identidade nova ao cinema brasileiro.  
 
Em 1957, Glauber entrou para a Faculdade de Direito da Universidade da Bahia, que cursou até terceiro ano. Com poucos recursos, filmou «Pátio», utilizando sobras de material de «Redenção», de Roberto Pires. Em 1958, trabalhou como repórter no Jornal da Bahia, assumindo depois a direção do Suplemento Literário.
 
Também publicou artigos sobre cinema no «Jornal do Brasil» e no «Diário de Notícias». Em 1960, nasceu sua primeira filha, Paloma. Apesar disso, separou-se de Helena um ano depois.   Trabalhou na produção de «A Grande Feira», de Roberto Pires e de «Barravento», de Luiz Paulino dos Santos, filme que acabou dirigindo depois de refazer o roteiro.



sexta-feira, 24 de maio de 2013

Poesia de Arlete Deretti Fernandes - A Quem muito amei; Bolinhas de sabão

  
Poesia de Arlete Deretti Fernandes - A Quem muito amei; Bolinhas de sabão
A Quem muito amei
 Queria ser uma flor, a rosa.
De todas a mais delicada.
Queria ser pedra preciosa
que cintila ao sol, na madrugada.
Ao surgir de seus primeiros raios,
a iluminar a natureza inteira,
eu saio a vagar, a procurar-te,
até chegar a lua branca e faceira.

Bolinhas de sabão
A menina de vestido bonito,
lá do topo da escada,
solta bolinhas de sabão
e as observa admirada!
Multicoloridas bolhinhas!!!
que voam nas asas do vento.






«Vó Aninha» - Crónica de Arlete Deretti Fernandes


«Vó Aninha» - Crónica de Arlete Deretti Fernandes
 
A modesta senhorinha, de estatura baixa e corpo franzino, foi testemunha viva de um século de História em nosso país. Ela era minha avó materna e viveu com lucidez até aos 103 anos. Nasceu em 1876.   Descendente de açorianos, vó Aninha tinha 14 irmãos. Quando batizados recebiam o nome do santo do dia, ou de personagens históricos.   Cristovam nasceu em 12 de outubro, aí a homenagem foi ao descobridor da América, Colombo.   Por ficar viúva muito cedo, Vó Ana morava com meus pais. Daí sua influência em nossa formação. Ela era de uma disposição invejável. Grande cozinheira e ainda melhor costureira.
 
Nossa casa tinha um corredor grande e uma varanda. Quando alguém «se passava», era uma corrida só pelo longo corredor, para depois pular a janela e o peitoril da varanda, se escapando da chinelada, que ardia. Logo a seguir passava a vó atrás com o chinelo na mão.   No verão subíamos nas árvores onde não raras vezes éramos picados por marimbondos . Outras vezes saíamos pelos pastos da pequena fazenda capturando borboletas com um saco apropriado para a finalidade.
 
Depois do almoço, como o sol era muito forte, vó Aninha colocava o «pegador de borboletas» sob o seu colchão enquanto descansava. E nós, ficávamos esperando-a levantar-se.   Havia em nossa casa um poço fundo, de água potável, onde se retirava a água limpa e pura, com um balde ou uma bomba elétrica. Meu irmão tinha um gato de estimação que costumava dormir sobre a sólida tampa de cimento do poço. Um belo dia o poço ficou aberto por uns segundos, enquanto a água era retirada.
 
O gato acostumado a pular sobre a tampa, desta vez caiu no vácuo e lá embaixo emitia miados desesperadores. O dono do gato chorava sem parar, até que chamaram meu pai, que retirou o bichano com um balde, para a alegria de meu irmão e o trabalho que papai teve de esgotar o poço.   Enquanto meu irmão gritava, minha avó pegou-lhe pelo suspensório que ficou em suas mãos, e ele escapou.  





sábado, 11 de maio de 2013

Viva a Itália, viva Garibaldi!!!- Crónica de Arlete Deretti Fernandes

 
Viva a Itália, viva Garibaldi!!!- Crónica de Arlete Deretti Fernandes
 
Três horas da manhã.
 
Pasquale tinha bebido todas, mesmo assim trocando as pernas acertou o caminho de casa. Enquanto caminhava estabelecia seu monólogo e oferecia seus brindes: -Per Baco! Per l´Itália, l´ Itália, Garibaldi!!!

No caminho encontrou um vira-latas e disse-lhe:
 - Tu, figlioli dum cane.
E Pasquale cantava a canção «Dall´Itália noi siamo partiti».

Ele entrou em casa, sem problemas, a porta sempre ficava encostada. Colocou na antiga vitrola uma música italiana e dirigiu-se ao quarto de dormir:

-Levanta, Colomba, vamo festejare L’Itália, Garibaldi.

E ela obedecia. Para não incomodar-se mais. Dançavam muito, até Pasquale não agüentar mais e jogar-se numa poltrona.

No dia seguinte Pasquale dirigiu-se ao armazém, distante de sua casa. Passou antes no bar. Tinha que tomar um vinho para afogar as lembranças de sua pátria que para trás deixou ainda criança.
 
 
 
 

 

 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Texto de Arlete Deretti Fernandes - Inesquecível Nicki

 
Texto de Arlete Deretti Fernandes - Inesquecível Nicki
 
Ganhei-o de presente de uma amiga. Ele era lindo. Filhote de gata persa de cor amarelada, que quebrou as regras da nobreza e acasalou-se com um gato «plebeu».
 
Ao levá-lo para minha casa, tive que fazer todo um trabalho psicológico, pois tínhamos dois cachorrinhos e receávamos que pudessem maltratá-lo. Soltei-o e ficamos alertas a observá-los com todo cuidado. Incrível foi a amizade que fizeram. Brincavam muito, corriam pela casa e se rolavam, uma graça, uma distração.
 
O gatinho era peludo, da cor de Garfield. Quanto à escolha do nome, como tinha uma cor loira e era semi-nobre, pensei em chamá-lo de Brad Pitt, mas não gostei, porquê ficaria muito extenso. Até que cheguei a uma escolha que me agradou, seria Nicki.
 
No bairro onde residíamos na época, costumavam aparecer gatos mortos. Saíam a passear e acabavam comendo veneno em algum lugar.
 
Uma amiga que tinha uma clínica veterinária, aconselhou-me a castrá-lo, para que se tornasse caseiro e sossegado. Pensei, analisei, e pelo bem do próprio Nicki, resolvi acatar a ideia.
 
Quando o trouxe da clínica para casa, ele ainda estava grogue da anestesia. Olhei-o e percorreu-me internamente uma «peninha». Fiquei a pensar se eu tinha o direito de intervir desta forma na natureza. Mas, enfim, já estava feito, e como «os fins justificam os meios»...