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sábado, 6 de dezembro de 2014

A visita do Tio João - Conto de João Furtado


A visita do Tio João - Conto de João Furtado

A única riqueza que lhe restava era a vida. Com setenta e poucos anos parecia ter mais de oitenta. Todo curvo e cheio de reumatismo.

Os amigos foram se escasseando, os mais novos ocupados com a vida e os mais velhos iam aos poucos para a verdadeira morada. Os vizinhos iam se trocando e os novos inquilinos vieram vacinados e imunes do conhecido e tradicionais «olá», «bom dia», «boa tarde» ou «até amanha, se Deus quiser». As famílias? Também foram vacinados, estamos no mundo das vacinas e das imunidades.

Ele comprou um apartamento onde morava com a mulher e dois filhos, em Carnaxide, não muito longe de Lisboa. Os filhos com a febre da emigração e a falta de trabalho digno emigraram. Foram para a França.

Certo dia a mulher adoeceu e ele fez tudo para que ela se curasse, mas o câncer foi mais forte. Dois anos depois e com muita dor e sofrimento ela recebeu a visita do Senhor e teve a Paz da Alma. Foi um alívio, para ela que tanto sofria e para ele que não sofria menos vendo sua amada a sofrer.

A partir daquele dia o céu apareceu mais cinzento, o sorriso menos alegre e o andar mais cansado. Recolheu-se a casa e só saia para ir a mercearia. Falava com o dono da mercearia, quem lhe dava algumas vezes fiado e ele pagava quando recebia a pensão. Depois de algum tempo só o merceeiro sabia que ele era o Tio João. O Tio João era cada vez mais uma sombra ambulante.

Certa noite, depois de passar por mercearia e saldar todas as suas dívidas foi para o seu apartamento descansar. Era o que fazia diariamente. Descansava enquanto a cidade continuava a viver acordada dia e noite. Naquele dia não foi a excepção. Lá fora continuava a vida, carros a passarem, mulheres e homens a falarem dos seus problemas, jovens a namorarem, prostitutas e prostitutos a prostituírem… Enfim o normal do dia-a-dia.


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domingo, 23 de novembro de 2014

Poesia de João Furtado - Ao entardecer o quadro continua; Meu nome na infância


Poesia de João Furtado - Ao entardecer o quadro continua; Meu nome na infância

 

 Ao entardecer o quadro continua

 

 Ao entardecer na Ilha bela e maravilhosa
 Tu e eu… Eu e tu contemplávamos o sol
 Peguei-te na mão e via-te amor orgulhosa
 Enquanto o Astro Rei escondia atrás do farol

 Cansados resolvemos entrar na água… na praia
 Entrelaçados e cheios de sonhos beijávamos
 A sombra da noite não reduzia a nossa alegria
 Não tínhamos nada além da vida e dos sonhos

 E também tínhamos a água tépida do mar
 Onde a natureza confundia a sua sublime energia
 Com o nosso forte e único deseja de amar
 Como era bela a certeza que amanha era outro dia

 Mas era mais um dia para o nosso amor se vibrar
 Saímos da água e sentamos ao pé do coqueiro
 A Natureza falava mais tudo parecia silenciar
 Perante o nosso amor tão nobre e tão verdadeiro

 A natureza nocturna acordava ávida de amar
 E nós curiosos e amantes contemplávamos a noite
 O mar não se cansava de os nossos pés molhar
 E eu não cansava de falar do futuro tal um vidente

 Hoje veio a idade mas não levou o desejo de sonhar
 Vemos os nossos frutos os mais velhos são pais
 E sorrimos para os netos, um a rir e outro a chorar
 Ao entardecer o quadro continua cheio de animais

 Praia, 18 de Novembro de 2014

 João Furtado

http://joaopcfurtado.blogspot.com

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O ORACULO - Conto / Crónica de João Furtado


O ORACULO - Conto / Crónica de João Furtado

 Foi o Gregório quem levou aquele livro, o copo e um dado, recordo como se fosse hoje, por duas razões. Uma porque o dado era de fundo vermelho e pontos brancos, a cor que fazia lembrar o equipamento do Benfica. A outra razão é a rivalidade entre mim e o livro, para todos o livro dava uma resposta sonhadora, menos eu. Definitivamente, o «ORACULO DE NAPOLEAO» não quis nada comigo.

 Chegou como uma novidade lá em casa, era o livro da sorte e todos queriam saber a sua sorte. Desde as minhas irmãs até o meu pai, mesmo ele que era pouco dado as novidades ficou entusiasmado. Todos queriam saber o que seria seu futuro.

Pegavam no copo, colocavam o dado dentro do copo, agitavam o copo em movimento giratório enquanto proferiam a frase que o Gregório nos ensinou que era «Oráculo de Napoleão, Oráculo de Napoleão, diga-me….». Num movimento rápido embarcavam o copo sobre a mesa. Viam qual o número que coube a sorte e no livro, procuravam a resposta. As perguntas eram as que previamente se viam no livro.

 As minhas irmãs, a minha mãe e o meu pai ficaram todos satisfeitos com as respostas obtidas e estavam ansiosos para continuarem o jogo. Pelo menos estavam a viver uma vida de ilusão por algum momento.

Chegou a minha vez e queria que eu me despachasse o mais rápido possível, para continuarem a perguntar. Todos tinham mil perguntas a fazer e queriam a resposta.

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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

O sabor da paz - Dueto Poética de António Tavares e João Furtado - A PAZ PERPETUA NA POESIA MADINTER ( António Andrade Lopes Tavares ) ; A PAZ ( João Pereira Correia Furtado)


O sabor da paz - Dueto Poética de António Tavares e João Furtado -  A PAZ PERPETUA NA POESIA MADINTER ( António Andrade Lopes Tavares ) ; A PAZ ( João Pereira Correia Furtado)

 

 A PAZ PERPETUA NA POESIA MADINTER



 SINTA O SABOR...
 DA PAZ PERPETUA NA POESIA MADINTER

 Partilho-te a minha paz em forma cosmética
 Encontrada na anatomia da veia poética
 Fugindo cogitação absolutamente patética
 Abraçando Justiça, Amor, verdade e ética
 Esta paz alienada em momentos e motivos
 Realidade exprimida no mundo dos cativos
 Desejos ardentes das almas puras e pacifistas
 Convicção profunda das consciências humanistas

 SINTA O SABOR...
 DA PAZ PERPETUA NA POESIA MADINTER!

 Quero viver a minha paz neste mundo de poesia
 Fazê-la, Canta-la, vivê-la lá em voz e na harmonia
 Esta paz sempre afirmada, desejada e negada
 Nas mentes pujantes da tendência globalizada
 A minha paz afirma-se em consciência dia-a-dia
 Escolhe os seus motivos na pura essência da razão
 Atua por princípio, amor e bondade no coração
 Garante o raio de sol e o solo à toda a Nação

 SINTA O SABOR...
 DA PAZ PERPETUA NA POESIA MADINTER!

 Esta minha paz nega toda forma de dominação
 Não encontra espaço, nem motivos para evasão
 Por isso combato, promovo e defendo a inter-relação
 E com toda a garra pugno apelando a multipolarização
 Na poesia da paz
 Dos céus caiem o pão da Dignidade
 As terras entoam o hino da Liberdade
 Os povos respiram o ar da tranquilidade
 No universo, sentimos sol da solidariedade

 SINTA O SABOR...
 DA PAZ PERPETUA NA POESIA MADINTER!

 Esta minha Paz poética irreverente
é fruto de injustiça sobre os inocentes
 Violências sobre os pobres e oprimidos
 Alienação de Estados Independentes
 Com futuro e progressos comprometidos
 Faça parte da minha Paz Poética
 Nela o céu brilha e será sempre azul
 Alterando-se o sol, o luar e as estrelas
 Jamais a escuridão será iluminada
 Com bombas, Canhões, Tanques…
Com granadas e aviões de caça…

SINTA O SABOR...
 DA PAZ PERPETUA NA POESIA MADINTER

 Ande sentir o Sabor da Poesia…
Nela encontraras a doçura da paz Perpétua
 MADINTER é hoje o alfa e ómega de alegria
 Mas esteja tranquilo, toda a decisão é tua!

 SINTA O SABOR...
 DA PAZ PERPETUA NA POESIA MADINTER!

 António Andrade Lopes Tavares

 Bélgica, 25 de Outubro de 2014




quarta-feira, 29 de outubro de 2014

A Babosa - Conto de João Furtado


A Babosa - Conto de João Furtado  

 O martírio era enorme. O José dos Ramos não tinha um minuto de sossego. A barriga estava a funcionar ao ritmo do mar. Se era maré-alta a barriga inchava que nem um tambor. Ia se esvaziando ao ritmo do mar até ficar completamente colada a costa.

Minutos depois iniciava o sentido inverso. Começava a encher aos poucos no mesmo ritmo do mar. Morava no Oeste, embora a Ilha seja pouco mais que 100 kms quadrados, no meio do Oceano Atlântico, podia-se dizer que Oeste era longe do mar. Sim, tudo é relativo, e nesta relatividade as poucas pessoas que residiam no Oeste afirmavam e acreditavam que estavam longe, muito longe do mar.

 Efectivamente não tinham o mar no horizonte visual. E a barriga do José dos Ramos trouxe a todos a noção dos movimentos das ondas. Não foi levado ao hospital. Todo o mundo sabia o que acontecera. Os ai ai ai ai do José dos Ramos foram tomados, embora com consternação, como normais pelo o que foi provocado.

 O mês de Maio estava no fim, o próximo mês seria Junho, mês das festas de Santo António do Príncipe. Era preciso preparar tudo para que nada ficasse ao acaso. Era um mês de festas, durante todo o mês de Junho, o Picão era o centro da ilha. O que era para guardar, tinha que ser guardado, sempre podia aparecer algum amigo do alheio.

O José dos Ramos fechou tudo em casa. Não deixou nada a vista. Era um homem prudente e não queria perder nada. Entretanto havia um utensílio, muito útil por sinal, enorme que não cabia dentro da casa, era um tacho de cobre. Tacho enorme, tinha dois metros de diâmetro. Estes enormes tachos serviam (e servem) para se fabricar farinha de mandioca.


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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A Lenda da Senhora Matilde e da «San Líjà Bote» - Conto de João Furtado


A Lenda da Senhora Matilde e da «San Líjà Bote» - Conto de João Furtado

 Vestida imaculadamente de branco, a senhora Matilde, sim era este o nome da velha que diariamente sentava-se a berma do rio Papagaio.

 Usava saias longas e de pregas e uma blusa de mangas folhadas. Esperava alguém, alguém que deveria voltar e nunca mais voltaria. Aquela zona era denominada de «San Lijà Bote», em português, senhora Luísa Bote.

Que esperava a senhora Matilde? Alias quem esperava ela?O João diariamente passava por ela e tornava a passar. Passava para ir a escola e passava de novo quando voltava para a casa. A senhora Matilde lá estava.

Ia bem cedinho e só regressava a noite. Há anos que ela passava o dia sentada. Alimentava de cola e agua. Graças a Deus a cola era uma semente milagrosa. Bastava uma semente para não se sentir a fome durante longo período do dia e era fácil de se conseguir.

 O fazia ela sentada ali e quem esperava ela?
 A agua cristalina e transparente descia rio abaixo até o mar alheio a tudo e a todos e a Senhora Matilde, alheia a tudo que passava a sua volta fixava os olhos no rio e via a agua correr na sua trajectória milenar, enquanto respondia a todos que por ela passassem o «Passô» com outro «passô».

Ninguém mais se importava com ela. O hábito de ficar sentada a beira do rio já se havia transformado em normal, natural.

Um tão estranho hábito tornou-se habitual e quando o estranho se transforma em normal, ninguém mais liga. A Senhora Matilde já tinha se tornado em parte integrante do ambiente.


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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Realidade fictícia - Conto de João Furtado


Realidade fictícia - Conto de João Furtado 

 Não consigo escrever. Vivo este vazio sempre que termino um conto e quero começar a escrever outro. E à  minha volta é o nada. Nada me sai da cabeça para o papel. A febre que sinto enquanto coloco no papel as minhas ideias mais ou menos formadas se esvazia rapidamente.

Sinto uma paz interior, o mesmo que se sente após o orgasmo. E a mesma vontade de continuar e não poder. Já fui ao computador várias vezes, mas abro, jogo uma ou duas partidas do «solitário», ganho e perco, volto a levantar-me, após fechar o computador, nada sai mesmo, nada de nada. Esforço a memoria faço o filme da minha vida passar vertiginosamente desde o meu nascimento até hoje. Faço projecção para um futuro incerto de mil maneiras, mas nada. Tudo em mim é informe e vazio. Não resta nada a fazer senão esperar.

 Posso passar assim algumas horas ou mesmo dois ou três dias. Sem nada poder fazer, brinco com a minha netinha. Deixo ela fazer-me de bebé, o que ela adora. Com o seu pouco mais que um ano, ela adora me dar de comer, me mandar abrir a boca, para ver se tenho algo de errado nela. Ela coloca-me coisas, como a caneta electrónica, na boca, para me repreender. Ou seja o que lhe faço, ela me faz com todo o prazer.

 Imagino a historia que gostaria de contar, as palavras me faltam, estou na fase do vazio completo, deixo de ter capacidade de imaginar. A minha mulher fala comigo e eu nem ouço. Ela repete e torna a repetir, eu continuo longe, no mundo de ninguém. Ela me repreende dizendo que devemos estar mais presentes neste mundo. Eu nem ai, bem, para dizer a verdade, sempre preferi o meu mundo.

 Vem à mente o quanto sou prejudicado por viver num mundo só meu, mas agora mais do que nunca estou no meu mundo. Lembro com tristeza que tenho sido escada para muita gente subir no meu trabalho. Mas que a possibilidade de subir é para mim escassa, isto porque preciso ser deste mundo. Aproveitar as oportunidades, saber ser um pouco engraxador.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O ORACULO - Um Conto / Crónica - Por João Furtado

 
O ORACULO - Um Conto / Crónica - Por João Furtado 
 
Foi o Gregório quem levou aquele livro, o copo e um dado, recordo como se fosse hoje, por duas razões. Uma porque o dado era de fundo vermelho e pontos brancos, a cor que fazia lembrar o equipamento do Benfica. A outra razão é a rivalidade entre mim e o livro, para todos o livro dava uma resposta sonhadora, menos eu. Definitivamente, o «ORACULO DE NAPOLEAO» não quis nada comigo.
 
Chegou como uma novidade lá em casa, era o livro da sorte e todos queriam saber a sua sorte. Desde as minhas irmãs até o meu pai, mesmo ele que era pouco dado as novidades ficou entusiasmado. Todos queriam saber o que seria seu futuro.
 
Pegavam no copo, colocavam o dado dentro do copo, agitavam o copo em movimento giratório enquanto proferiam a frase que o Gregório nos ensinou que era «Oráculo de Napoleão, Oráculo de Napoleão, diga-me….». Num movimento rápido embarcavam o copo sobre a mesa. Viam qual o número que coube a sorte e no livro, procuravam a resposta. As perguntas eram as que previamente se viam no livro.
 
As minhas irmãs, a minha mãe e o meu pai ficaram todos satisfeitos com as respostas obtidas e estavam ansiosos para continuarem o jogo. Pelo menos estavam a viver uma vida de ilusão por algum momento.
 
Chegou a minha vez e queria que eu me despachasse o mais rápido possível, para continuarem a perguntar. Todos tinham mil perguntas a fazer e queriam a resposta.
 
Tinha pouco mais de sete anos. Era a idade de fantasias e a pergunta devia ser sobre algum brinquedo ou outra fantasia de criança, mas eu não perguntei se ia conseguir uma bola no próximo Natal. Não quis saber se o Pai Natal olharia para mim, já que nos outros seis anos da minha vida ele nunca se lembrou de mim. Bem, mesmo que quisesse perguntar, não sei se a pergunta estava no livro.
 

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O Casamento - Por: João Furtado

 
O Casamento - Por: João Furtado 
 
Desta vez não usamos o Hiace. Iamos a boleia de um amigo. A viagem foi mais suave, não tivemos que dar mil e uma curva até o carro encher. O Hiace leva oficialmente 13 pessoas, normalmente 16 a 20.
 
A policia bem tenta impedir com multas mas dificilmente consegue multar alguém, embora todos os condutores se gradeiam entre eles, quando existe uma operação «STOP», os que passam pelo ponto do «STOP» pisca para todos os Hiaces com que se cruzam. Uma espécie de pacto.
 
Outra razão do excesso da capacidade é que ninguém quer entrar num Hiace vazio. E sempre a força que vai-se rendendo e entrando no carro. Um puxa eu puxa você com resultados imprevistos. Todos os condutores têm um grupo de 4 ou 5 ajudantes que a troco de alguns tostões entram e fingem ser clientes e que vão descendo aos poucos conforme o Hiace vai-se enchendo com verdadeiros clientes.
 
O carro sai do largo da Sucupira toma Avenida de Lisboa vira a esquerda, contorna a Rotunda a frente da sede do Sindicato UNTC-CS, Primeiro de Maio toma a Avenida da Fazenda vai até a Ponte da Vila Nova vira a direita anda mais uns 300 metros vira a esquerda, sobe Safende, passa por Cruz Marques chega a Rotunda de Ponta de Agua, sempre a parar, a lutar para que este ou aquele passageiro entre no seu Hiace e não do colega de profissão.
 
E regressa no sentido inverso até o Largo da Sucupira de novo. Ao todo cerca de 2 ou três quilómetros. Já cheguei a fazer este percurso pelo menos 6 vezes antes de rumar ao destino programado. Deve ser por isso que todos procuram o Hiace que já esta cheio. Mesmo se para tal se lembre das sardinhas enlatadas, só que as sardinhas não tiveram escolha…
 
Levamos cerca de 45 minutos a fazer a trajectória que costumávamos a fazer em quase 3 horas. Não tivemos que ultrapassar nenhum carro a alta velocidade. Nem tivemos que parar na curva anterior a alguma operação «STOP» para fazer descer duas e três pessoas, que teriam que caminhar a pé, até serem recolhidas um pouco a frente da operação «STOP», onde o Hiace estaria a espera. Iamos a um casamento e o casamento era no dia seguinte.


Leia este tema completo a partir de 26 de Agosto carregando aqui.


 



sábado, 17 de agosto de 2013

Poesia de João Furtado - VAGUEANDO POR AQUI NESTE MUNDO

 
Poesia de João Furtado - VAGUEANDO POR AQUI NESTE MUNDO
 
 
VAGUEANDO POR AQUI NESTE MUNDO

Andei naquele, noutro e neste autocarro
 Ao lado esteve, está e estará um amigo caro
 Que com encontros e desencontro já nem reparo!

Desta vez ia ver minha querida e estimada tia
 O aniversário dela mais uma vez era o dia
 Nada pude eu comer, um dente muito doía...

Enquanto o autocarro violentamente trepidava
 Eu este poema imaginava e escrevê-lo tentava
 Uma menina indiscreta ao lado gargalhada dava!

Perto uma madura mulher casada com o Baco
 Tentava a força dar ao rapaz novo um cavaco
 Ele, o rapaz na jovem força olhava com asco!

Meu pensamento continuava vagueando
 Ao ritmo do autocarro sempre viajando
 Aos homens e ao mundo meditando!


Leia este tema completo a partir de 19 de Agosto carregando aqui.






 


 


domingo, 21 de julho de 2013

Poesia de João Furtado - OUTROS GESTOS, OUTROS DIZERES; AFRICA OUTROS GESTOS, OUTROS DIZERES

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Poesia de João Furtado - OUTROS GESTOS, OUTROS DIZERES; AFRICA   OUTROS GESTOS, OUTROS DIZERES
 
Lembrei-me, a meditar, de ti ontem
Meu grande Gabriel Maquengo
E daqueles tempos, meu amigo
Analisávamos tudo que a natureza tem
 
Passamos horas a filosofar sobre nada
Na longa e bela baia de Ana Chaves
Falávamos dos peixes, das lindas aves
E daquela roça, cheia de animais e abandonada
 
Embarquei, estou cá, em Cabo Verde
Arranjei outros amigos e outros afazeres
Tu não sei… Estarás naquela Ilha tão verde?
Os novos amigos não são piores nem melhores
São, sim, tenho a certeza e te digo a verdade
São diferentes, com outros gestos e dizeres!
Leia este tema completo a partir de 15 de Julho carregando aqui.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

MONOLOGO A BORDO - Conto / Crónica de João Furtado

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MONOLOGO A BORDO - Conto / Crónica de João Furtado
 
Mais uma vez a assistente de bordo faz passar o filme totalmente fora de tempo. Os passageiros estão sentados, com cintos bem apertadinhos. Um assistente já havia distribuído o cinto para bebés ao colo. Quando o filme começa e anuncia:
- Senhores passageiros este avião tem quatro portas de emergência todas devidamente assinaladas, duas portas a frente, duas portas sobre as asas……
 
Bem isto serve para nos lembrar que não devíamos viajar de avião, pois estamos sujeitos a morrer. A informação é dada em três línguas, português, francês e inglês. Alguns passageiros não entendem patavina. Os que apenas falam crioulo, por exemplo. Invejo a sorte deles, pelo menos eles não sabem que estão a beira de um desastre.
 
Sinto um nó no estômago, lembro-me que não sei nadar. Nunca soube nadar, é verdade, se soubesse nunca deixaria de saber, dizem que é como andar de bicicleta, uma vez que se sabe, nunca mais se esquece. Bem sou um passageiro morto, não iria utilizar a porta de emergência, se for para morrer, que morra dentro do avião, sem ter que quebrar uma perna e depois morrer afogado.
 
O avião recebe ordens para iniciar a marcha, prepara para ir até fim de uma das pistas que ira utilizar, no termo técnico, inicia o táxi. Ainda estamos a ver e ouvir as mesmas indicações agora em inglês. Voltamos a ouvir em francês. Já estamos no fim da pista, vamos iniciar a viagem dentro de momentos.
- Agora vamos mostrar como apertar e desapertar o cinto de segurança………
 
Se esperássemos para aprender a apertar e desapertar o cinto, e se, Deus não permita, tivesses algum problema no momento em que o avião fez o táxi, neste momento éramos muitos que estávamos com cabeças, pernas e braços partidos. Graças a Deus, todos estávamos de cintos bem apertadinhos, inclusive os bebés, havíamos recebido um cinto extra.





sábado, 15 de junho de 2013

Poesia de João Furtado - A Saudade faz sonhar; Cá os meus silenciosos botões

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Poesia de João Furtado - A Saudade faz sonhar; Cá os meus silenciosos botões      
 
A Saudade faz sonhar  
 
A saudade faz o homem sonhar  
E novamente o Príncipe, a Ilha  
E a cidade minúscula e velha  
Com outros meninos a brincar  
Na praça e a noite quase escura  
Que brincadeira tão inocente, tão pura...
 
Os adultos, alguns, sentados  
E nós num esconde, esconde...  
Doce e bela paz, ficaste onde?  
Hoje estou longe da Ilha e de todos!  
Numa outra Ilha, Santiago em Cabo Verde  
E sonho com a minha pacata Ilha toda verde...
 
Leia este tema completo a partir de 17 de Junho carregando aqui.
 
 

sábado, 8 de junho de 2013

POESIA SOBRE O DIA DE PORTUGAL, DE CAMOES E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS

POESIA SOBRE O DIA DE PORTUGAL, DE CAMOES E  DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS
Amor à Camões - Adelina Velho da Palma; LUIS VAZ DE CAMOES - João Furtado; OITOCENTOS SETENTA E DOIS ANOS - Joel Lira





domingo, 2 de junho de 2013

Poesia sobre o Dia Mundial da Criança - Luis Da Mota Filipe - POEMA: VIDAS ROUBADAS; Isabel Faria - Arco-íris; João P. C. Furtado - és simplesmente criança; Arlete Piedade - Dia Mundial da Criança; Sergio Antonio Meneghetti - Pés em Transformação

 
Poesia sobre o Dia Mundial da Criança
 
Luis Da Mota Filipe - POEMA: VIDAS ROUBADAS; Isabel Faria - Arco-íris; João P. C. Furtado - és simplesmente criança; Arlete Piedade - Dia Mundial da Criança; Sergio Antonio Meneghetti - Pés em Transformação 

Luis Da Mota Filipe
(Em dia Mundial da Criança)
POEMA: VIDAS ROUBADAS
 
Meninos,
Miúdos,
Gaiatos,
Garotos,
Catraios,
Rapazitos;
Deixá-los: Aprender
 
Isabel Faria
Hoje, dia Mundial da Criança, para todas elas, e para a "criança" que existe em nós!
Abraço fraterno!
Arco-íris
 
Vivo num arco-íris
De sete cores rodeada
Que alimentam os meus sonhos
Como num conto de fadas

Amarelo me ilumina
Dando brilho ao meu olhar
Anil, um tom encantado
O verde me lembra o mar

 
João P. C. Furtado
és simplesmente criança
 
Nasceu e não pediu para nascer
Tem direito a poder viver
E com saúde e amor crescer

Aos pais pediu apenas brinquedos e comida
E direito de ser bem-educada e acarinhada
Em circunstância alguma, jamais abandonada

A Guerra é tua e não dela certamente
Tu homem de perversa e doentia mente
Mas é ela quem sofre, infelizmente

Hoje é dela o grande e especial dia
Devia estar a rir de muita alegria
Mas triste estás e com melancolia

 
Arlete Piedade
Dia Mundial da Criança
 
Criança onde quer que estejas
na Asia, em Africa, na Oceânia
América, Europa... que desejas?
crescer e ser feliz, com alegria?

Mas com tanta desigualdade
espalhada pelo planeta Terra,
como encontrar essa felicidade
e sobreviver á luta e á guerra?

 Sergio Antonio Meneghetti
Pés em Transformação 
Para o Dia Mundial da Criança
 
Meus olhos fitam a pureza
Pureza em transformação
Quisera não passar o tempo e ter certeza
Certeza da alegria e comunhão

Vejo pequenos pés se deslocarem em todas as direções
Transportam, sustentam corpos se desenvolvendo,
Fabricando; o milagre da criação.

São ativas, crescendo, florescendo,
Neste plano terrestre
Gritando, pulando, brincando
Na fantasia em que se vestem

A delicadeza faz a magia do perfeito
Começam na minúscula porção celular
Condensam energias, mas parecem tudo gastar.



sábado, 1 de junho de 2013

Minhas Primeiras sextas-feiras - Por João Furtado


Minhas Primeiras sextas-feiras - Por João Furtado
 
Apenas li o título.Foi no Liberal Online. Não tinha tempo.   Estava tão sem tempo que nem li quem foi o autor da obra. Nem cheguei a saber se era uma crónica, um poema ou um conto. Alias, havia lido apenas o título porque era a minha mulher que estava online a ler jornais. Eu vi de raspão. «KADA KATCHOR TEM SI SESTA FERA» era o título. Lembrei que estava tendo as minhas sextas-feiras.
 
Estou a tratar de um empréstimo para estudos para meu filho. Jurei a mim mesmo que eles completariam os estudos. Nenhum deles ficaria apenas com instrução primária, como eu. Sei o que passo diariamente. Consigo fazer o meu trabalho com o mínimo de qualidade exigido, ao ponto de ser até difícil me darem férias. Entretanto não posso ser remunerado pelo meu trabalho porque não sou licenciado.   Se fosse licenciado podia ganhar pelo trabalho que actualmente faço mesmo se fizesse apenas um por cento do que estou a fazer. Não obstante estar farto de dizer para me pagarem, não pelo meu rosto, não pelo meu diploma que não tenho, mas pelo trabalho que ofereço. Pela garantia que dou. Nada, bem isto também não vem ao caso agora.  
 
Para fazer empréstimo, tenho que hipotecar a única coisa válida que eu e minha mulher temos. Estou cá a dizer eu, eu e eu, mas devia dizer nós, eu e ela ou melhor ela e eu. Espero que ela me perdoe, mas estou a falar das minhas sextas-feiras.   Disse que para fazer empréstimo é preciso hipotecar coisa válida economicamente aos olhos bancários, no meu caso a casa. Para hipotecar é preciso entre outras coisas a certidão do registo da propriedade. E para tirar a certidão é preciso ir, julgava eu, duas vezes aos serviços de registo de propriedade. A primeira vez até que me pareceu muito promissor. Sai de lá a rir de satisfação.
 
Já ia mentalizado que o prazo era dez dias. Não me receberam com flores, nem me estenderam tapete vermelho, bem, não esperava tanto.   A senhora não foi nada simpática. Mas isto eu já me habituei. Cá nesta nossa terra de Morabeza, tão falada e tão apregoada, não se paga para se ser simpático. A Morabeza é gratuita, como tal só oferecemos aos estrangeiros. Até acho bem que tratemos bem aos nossos visitantes, aliás gostaria que fossemos muito mais agasalhadores. Principalmente com os ditos mandjacos, estes, coitados, são tão maltratados.  





 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

VIAGEM EDUCATIVA - Crónica de João Furtado


VIAGEM EDUCATIVA - Crónica de João Furtado  
 
Enfim chegamos. Não completamente. Ainda faltava cerca de 50 minutos. Estava exausto.
 
Tinha saído de Atlanta para Bóston, onde dormi na casa do meu irmão. Para levantar de madrugada. Cansado de avião preferi tomar autocarro para Nova Iorque. O meu irmão me levou de carro de madrugada para o South Station. Não era necessário, podíamos ter ido mais tarde e apanhado o autocarro das dez. Mas, ele tinha trabalho e por isso apanhei o das cinco de madrugada.   Foi uma longa viagem, mas adorei. Estava farto de avião e tinha que o apanhar em Nova Iorque. Não tinha outra alternativa. Viver nas Ilhas, tem esta inconveniência temos que estar sempre a apanhar avião ou barco. O barco estava fora das minhas opções, mesmo se existisse, não consigo superar o enjoo.
 
Cheguei a Nova Iorque, troquei de autocarro. Tomei o errado. Devia tomar para o aeroporto de John F. Kennedy, mas apanhei de Newark Liberty.
 
Acontece comigo. Da última vez fui parar a La Guardia tive que apanhar um táxi. Desta vez não preocupei, tinha tempo. Estava com mais de seis horas de avanço. Apanhei outro autocarro e por fim cheguei onde devia apanhar o Avião de South Africa, o voo SA202 com destino a Ilha do Sal.   O SA 202 ia para Joanesbourg. Era uma escala praticamente técnica no Sal, entretanto a companhia aceitava alguns passageiros para Cabo Verde. Quase sempre menos de vinte. Naquele dia éramos cerca de doze. A maioria do completamente cheio boing 747 tinha como destino Africa do Sul.  
 
Entre os quase doze passageiros estava uma senhora jovem, não tinha mais que 25, 26 anos. Bonita e toda maquiada. Nem os cerca de 6 horas de voo nocturno. Nem a madrugada da chegada, duas horas e trinta minutos, a conseguiu tirar o batom da boca ou os muitos quilos de produtos nos olhos, face etc. Ela estava de roupas brilhantes, destacando o colan vermelho e a bota de couro.
 
A senhora estava acompanhada de um rapaz, a idade situava-se entre os 8 e 10 anos. Estávamos na sala de embarque. Eu na curta fila e ela a preencher a folha dos Serviços Fronteiriços. Mas os meus olhos não desgrudavam do rosto dela. Tentavam saber de que ilha era ela. Embora já tivesse apercebido que ela era de uma das nossas muitas ilhas virtuais, a emigração.




domingo, 12 de maio de 2013

HORA MINGUADA - Conto / Crónica de João Furtado

 
HORA MINGUADA - Conto / Crónica de João Furtado 
 
A Maria chorava a morte do filho. Foi uma coisa inesperada. Ele estava bom, não tinha nem uma pequena dor de cabeça. Que podia esperar que a morte o surpreendesse de repente? Menino saudável e cheio de vida. Os seis meses de vida eram prova disto, nunca tinha ido com ele ao hospital.
 
Gordo e forte, o rapaz era na verdade um poço de saúde, dava e vendia saúde. Não era de espantar que todos os vizinhos gostavam de o ter nos braços e orgulhosamente o exibir como troféu. Todos os vizinhos gostavam dele inclusive a Fulana.
 
A Fulana era a visita diária. Todos os dias, ela estava a bater a porta, mesmo as doze horas em ponto. Se fosse hoje, ela, a Maria a conjurava e não a deixava entrar, nem por todo dinheiro do mundo, mas foi há anos e ela ainda estava inexperiente. A Fulana lhe apanhou desprevenida com a pouca idade e experiência, acontece a todos.
 
Ela havia vindo a pouco tempo de Fogo com apenas 15 anos. Era o primeiro filho. Ela e o marido eram de Fogo. Nascidos e criados lá, como podia saber que a Fulana era o que era? Não é que não foi avisada, mas não acreditou. A mulher do filho da Fulana havia alertado a Maria pelo perigo da visita da sogra, a Fulana, mas a Maria não acreditou. Coisas da sogra e da nora.
 
Agora tinha a sua frente o corpo frio e hirto do filho. O rosto sereno e quase sorridente, tal um anjo contrastava com os pingos de sangue que saia pelo nariz, marca inequívoco da razão que fez o João Manuel partir para o paraíso.
 
Como poderia a Fulana, vizinha mais próxima e que mais vez lhe visitava ignorar tamanha desgraça e não aparecer nem para dar uma palavra de conforto? Como poderia, com tanta gritaria e lamentações?
 
 
 
 
 

 

sábado, 27 de abril de 2013

A Lenda da Senhora Matilde e da «San Líjà Bote» - Por João Furtado

 
A Lenda da Senhora Matilde e da «San Líjà Bote» - Por João Furtado
 
Vestida imaculadamente de branco, a senhora Matilde, sim era este o nome da velha que diariamente sentava-se a berma do rio Papagaio.

Usava saias longas e de pregas e uma blusa de mangas folhadas. Esperava alguém, alguém que deveria voltar e nunca mais voltaria. Aquela zona era denominada de «San Lijà Bote», em português, senhora Luísa Bote.
Que esperava a senhora Matilde? Alias quem esperava ela? O João diariamente passava por ela e tornava a passar. Passava para ir a escola e passava de novo quando voltava para a casa. A senhora Matilde lá estava.
Ia bem cedinho e só regressava a noite. Há anos que ela passava o dia sentada. Alimentava de cola e agua. Graças a Deus a cola era uma semente milagrosa. Bastava uma semente para não se sentir a fome durante longo período do dia e era fácil de se conseguir.

O fazia ela sentada ali e quem esperava ela?
 A agua cristalina e transparente descia rio abaixo até o mar alheio a tudo e a todos e a Senhora Matilde, alheia a tudo que passava a sua volta fixava os olhos no rio e via a agua correr na sua trajectória milenar, enquanto respondia a todos que por ela passassem o «Passô» com outro «passô».

Ninguém mais se importava com ela. O hábito de ficar sentada a beira do rio já se havia transformado em normal, natural.
 
Um tão estranho hábito tornou-se habitual e quando o estranho se transforma em normal, ninguém mais liga. A Senhora Matilde já tinha se tornado em parte integrante do ambiente.
 
Um dia ela não pode ir, ela tinha apanhado uma ligeira gripe, ai sim todos acharam anormal e correram para a casa dela, para saberem o que havia acontecido com ela.

O João sabia o caminho que devia seguir de cor e salteado. Nunca deveria encurta-la. Devia ir tomar sempre a ponte e atravessar o rio, seja porque razão ou motivo for.
 
 
 
 

 

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Poesia de João Furtado - NA DOR DA AUSENCIA; Eu e o meu pardal novamente!

 
Poesia de João Furtado - NA DOR DA AUSENCIA; Eu e o meu pardal novamente!
  
 NA DOR DA AUSENCIA
 
 Um casal de pardais barulhentos
 Diariamente vêm bem cedinho
(Construíram naquele buraco o ninho)
 Chorar para mim os seus lamentos!
 
Não sei se são deveras prantos
 Ou se são de alegrias seus cantos
 Eu é que perto da janela, no meu canto
 Perdido estou, cheio de tristes pensamentos
 
Eu e o meu pardal novamente!
 
 Eu te vejo muito tristonho
 Meu belo pardal confidente e amigo
 Tão calado estas tu que sempre falaste comigo
 Tu que sempre entraste até no meu sonho...
 
Estou muito triste amigo João
 Venho do Cabo das Esperanças
 E na bagagem trago poucas esperanças
 As baleias são mortas que dói o coração...
 
E na terra a vida dos pacíficos elefantes
 Não está nada fácil, dizem que é o fim
 Todo por motivo apenas dos dentes de marfim
 O mundo esta a perder os últimos gigantes