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domingo, 4 de maio de 2014

Os 10 de Junho: Dias dos sonhos não cumpridos - Texto de Daniel Teixeira


Os 10 de Junho: Dias dos sonhos não cumpridos - Texto de Daniel Teixeira

Um sonho é um sonho, quer dizer, é mesmo um sonho, aquela coisa que nós pensamos e não pensamos enquanto dormimos e não dormimos. Um sonho é isso. Pelo sonho é que vamos desejando e pela realidade é que vamos sabendo que aquela realidade desejada foi toda ela só e apenas sonho e que nem sequer uma nesga, uma nesguinha, daquilo que se desejou enquanto se sonhava, daquele castelo que se construiu enquanto dormindo ou não, pensámos, nem uma pedrinha desse desejado castelos temos na nossa mão ao acordar.

Triste, muito triste, é extremamente frustrante o sonho não cumprido: funciona assim como o suplício de Tântalo; tanto sonhámos, tanto desejámos, tão perto estivemos e quando vamos agarrar numa pequenina parte desse nosso sonho ele desaparece, simplesmente, esvai-se como a água de Tântalo, ou regressa ao fundo da encosta como a pedra de Sísifo.

Claro que ninguém nos «manda» sonhar com impossíveis e normalmente apenas se sonha com coisas impossíveis, deseja-se aquilo que se não tem e nem se pode ter. A maior parte das vezes, pelo menos. Um sonho para valer como sonho pensa logo em grande, não se detém naquelas coisinhas que estão ao acesso ou próximas do real, quer dizer, não se sonha com aquilo que se pode ter, mesmo hipoteticamente.

«O meu sonho sempre foi ter um carro destes!» pode o mais elementar «sonhador» afirmar como sendo um sonho cumprido, mas é claro que isso é uma auto - aldrabice - pública. O que ele sempre sonhou foi ter uma frota de carros de alta cilindrada, trocar de carro como quem troca de camisa, um para as primeiras horas da manhã e outro até ao meio dia e levar o resto do dia nesta giga joga. Quando se sonha sonha-se em grande ou sempre em «maior» do que os alegados sonhos cumpridos.

Claro que faz falta sonhar, desejar o impossível e obter aquela fatia de possível que o destino nos vai fornecendo a conta gotas. Ao fim de um tempo e se olharmos para trás, com olhos de ver, veremos que aquele sonho que tínhamos há vinte anos atrás afinal está completo, ou pelo menos em parte está a preencher-se...por vezes pena é que a esperança de vida não aumente até aos 500 anos para podermos assim reparar que aquele fatia de sonho que tivemos até aos cem anos está quase, quase a cumprir-se...falta só um niquinho.


Leia este tema completo a partir de 10 de Maio de 2014 carregando aqui

sábado, 7 de setembro de 2013

Os livros não morrem - Texto recolhido no Blogue Macau Antigo - João Botas

 
Os livros não morrem - Texto recolhido no Blogue Macau Antigo - João Botas
 
Em Setembro do ano passado, nos 10 anos passados sobre a morte de Monsenhor Manuel Teixeira, a Revista Macau publicou um artigo da autoria de Inês Dias que a seguir se reproduz.
 
«O homem é pó, a fama é fumo e o fim é cinza (…) só os meus livros permanecerão (…) e é essa é a minha consolação.» Em Setembro completa-se uma década desde que Macau perdeu um padre, um historiador, um homem das letras, um excêntrico. O padre Manuel Teixeira fez jus à sua célebre frase deixando um valioso contributo para o estudo da documentação histórica, religiosa e cultural de Macau. São mais de 130 livros, outras centenas de cartas e estudos dedicados à história da presença dos portugueses em Macau e no Oriente
 
Manuel Teixeira não se restringiu apenas ao papel de sacerdote: é considerado uma verdadeira instituição da cidade e quem passar pela história de Macau terá de passar obrigatoriamente pelas mais de 50 mil páginas escritas pelo homem que dedicou uma vida à pesquisa, análise e organização de dados. «Não criou muito mas investigou e publicou. Fez muito o trabalho dos copistas da Idade Média, fazendo chegar até nós dados valiosos», refere a historiadora Beatriz Basto da Silva.
 
A imagem icónica de um homem de batina branca e longas barbas da mesma cor a atravessar a Ponte Nobre de Carvalho – inaugurada em 1974, a primeira ligação fixa entre a península e a ilha da Taipa – até pela imprensa internacional foi imortalizada. Este trajecto diário Macau -Taipa - Macau era cumprido religiosamente e servia de momento de reflexão. Só uma trombose, sofrida na década de 1990, que o deixou paralisado temporariamente, viria a por termo a esta travessia.
 
Homem ávido por caminhar e explorar o território, conhecia-o de ponta a ponta. A sua obra Toponímia de Macau é prova disso. «Vem comigo passear por essas ruas que eu te contarei a sua história como amável guia turístico» é o convite que o padre faz aos leitores no seu prefácio.
 
 
 
 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Fez no dia 25 DE JANEIRO 67 anos que faleceu o poeta português AFONSO LOPES VIEIRA

 
Fez no dia 25 DE JANEIRO 67 anos que faleceu o poeta português AFONSO LOPES VIEIRA
 
Afonso Lopes Vieira  - [Leiria, 1878 - Lisboa, 1946]

Filho de um advogado, cursou Direito em Coimbra de 1895 a 1900 e praticou a advocacia em Lisboa. Em 1902 encontra-se a exercer o cargo de redactor da Câmara dos Deputados. Em 1916 passa a dedicar-se exclusivamente à literatura, empenhando-se num admirável esforço de divulgação e valorização de obras e escritores clássicos portugueses, aqueles que, de acordo com o seu nacionalismo esclarecido, melhor traduzem o espírito e a sensibilidade lusitanos.

Não foi por certo alheio a este voluntário apostolado cultural o facto de Afonso Lopes Vieira ter pertencido a uma geração de homens animados por ideais renascentistas, homens para quem literatura e Pátria eram realidades co-naturais, a uma cabendo uma missão orientadora e sendo a outra uma entidade fundamentalmente espiritual e linguística.

Afonso Lopes Vieira contribuiu profundamente para o refortalecimento do nosso património literário e cultural ao promover o gosto pelo teatro vicentino, adaptando algumas peças (Monólogo do Vaqueiro, Auto da Barca do Inferno) e proferindo diversas conferências (A Campanha Vicentina. Conferências & Outros Escritos, 1914), ao restituir à língua portuguesa duas obras que corriam em versão castelhana, o Amadis de Gaula (O Romance de Amadis, 1922) e a Diana de Montemor (A Diana de Jorge de Montemor em Português, 1924), ao interessar-se por uma edição nacional d' Os Lusíadas, com a reprodução do texto da edição princeps de 1572, e por uma edição crítica da Lírica, ao escrever livros de comovida singeleza para crianças e adultos, ilustrados e musicados por artistas como Raul Lino e Tomás Borba (Animais Nossos Amigos, 1911; Bartolomeu Marinheiro, 1912; Poesias sobre as Cenas Infantis de Schumann, 1915).

Nomes como os de Francisco Rodrigues Lobo e João de Deus suscitam-lhe igual atenção, tendo seleccionado, anotado e prefaciado parte das suas obras (Poesias de Francisco Rodrigues Lobo, 1940; Corte na Aldeia de Francisco Rodrigues Lobo, 1946; O Livro de Amor de João de Deus, 1921).

Mas a importância de Afonso Lopes Vieira na história da nossa literatura não se resume a esta actividade intensa de investigador, divulgador e animador cultural. Também foi poeta e prosador.
 
 
 
 
 

 
 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Inês de Castro - Introdução extraída do site de Dulce Rodrigues complementada por extracto da História de Literatura Portuguesa de Oscar Lopes e António José Saraiva

 
Inês de Castro - Introdução extraída do site de Dulce Rodrigues complementada por extracto da História de Literatura Portuguesa de Oscar Lopes e António José Saraiva
 
A 7 de Janeiro de 1355, há 657 anos, Inês de Castro, o grande amor do Príncipe Pedro de Portugal, é assassinada em Coimbra por três nobres portugueses com a concordância do rei Afonso IV.
 
Depois de subir ao trono, Dom Pedro declarou ter casado secretamente com Inês e ordenou a construção de dois magníficos túmulos no Mosteiro de Alcobaça, para um dos quais foram trasladados com honras reais os restos mortais de Inês. O outro túmulo era destinado a Dom Pedro e aí jazem os dois amantes lado a lado para a eternidade.
 
Esta história de amor tem sido o tema de obras literárias como «A Castro», do escritor português António Ferreira, «La Reine Morte» do escritor francês Henri Millon de Montherlant, «Inez de Castro» de Victor Hugo, ou ainda «Reinar depois de morta», de Luis Vélez de Guevara; também de obras cinematográficas.
 
Em 1996, o escocês James MacMillan, um dos maiores compositores britânicos da actualidade, escolheu-a para tema da sua primeira grande ópera. Mais recentemente, em 2005, o escritor francês Gilbert Sinoué inspirou-se igualmente nesta eterna história de amor para escrever o livro «La Reine crucifiée».
 
Dulce Rodrigues
 
 
 
 
 

 
 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

História e Lenda do Qingming, o dia dos Finados Chinês

 
História e Lenda do Qingming, o dia dos Finados Chinês
 
 
Os cemitérios chineses enchem-se de pessoas para visitar as campas dos seus antepassados e proceder à sua limpeza e arranjos, passando aí uma boa parte do dia, tomando uma refeição de comida fria sobre a campa, já que é o dia de ir prestar homenagem aos antepassados.
 
Por isso, multidões para aí se dirigiram carregando inúmeros sacos, uns com incenso de vários tamanhos e com dinheiro dos mortos, e outros com comida.
 
Qingming (Cheng Meng em cantonês), que significa limpo e brilhante, é a festa do Puro Brilho ou Pura Claridade. Uma das raras festividades chinesas ligadas ao calendário solar e realiza-se no dia 4 de Abril, 105 dias depois do Solstício de Inverno.
 
Nesse dia faz-se a Grande Cerimónia tauista aos que já passaram por esta vida. As famílias realizam oferendas de sacrifícios, queimando incenso e dinheiro dos mortos, reunindo-se à volta da campa, o que permite um estreitar de laços entre os membros, celebrando-se aí uma refeição.
 
Desde a dinastia Ming, esta refeição de Comida Fria celebra-se no Qingming e está ligada a uma história que remonta ao período da Primavera - Outono da dinastia Zhou do Leste.
 
Carne e fogo
 
 A história aconteceu no reino Jin e começou em 655 a.C.. A segunda mulher do duque Xian, Liji pretendendo que o seu filho, Xiqi, fosse o sucessor na governação deste reino, influenciou o marido a mandar matar os três filhos da primeira esposa.
 
O mais velho destes, Shensheng, sabendo disso, logo se suicidou e os dois irmãos mais novos fugiram. Um dia, Chong-er, o mais velho dos dois fugitivos, muito depauperado pela fome e já sem se conseguir mexer, levou a que um dos seus leais oficiais, Jie Zitui, cortasse partes de carne da sua coxa para o alimentar.