quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Poesia de Liliana Josué - O Pote das Letras; MINGUA


Poesia de Liliana Josué - O Pote das Letras; MINGUA


O Pote das Letras

 

 CATARINA
(UM ANO)

 (Com muito amor da tua avó Liliana Josué)

 Danças de berço
 graça infinita
 sorrisos de ave solta

 boca de rosas
 semeada de pérolas brancas
 pequeno terço brilhante
 papoilas vermelhas nas sedosas faces

 no doce abraço dos teus pais
 a noite traz-te a imensidão do mundo
 e adormeces na fascinação desse amor
 autêntico e profundo.

 O canto das aves será sempre para ti.

 19/07/2014
 Liliana Josué



segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Poesia de Dimitri Markovitch Karen - As Leis Supremas; Aca-Epi-Dêmicos


Poesia de Dimitri Markovitch Karen - As Leis Supremas; Aca-Epi-Dêmicos 



 As Leis Supremas

 

 Ao infligir as leis da natureza
 Sem perceber o quanto a volta é rude,
 O temporal expressa o que não pude
 Viver sem mais sentido e sem surpresa,
 Não quero caçador tampouco presa,
 Mas sei quanto a verdade desilude,
 E mesmo me mostrando em plenitude
 Eu gero em morte a sorte sem defesa,
 O corte do arvoredo a fúria insana,
 Ao largo do que fora o quanto explana
 A luta sem valia por fortuna,
 Meu mundo desabando em gozo estúpido,
 Aonde se pudera um tempo cúpido
 A mãe Natura aos poucos, já nos puna.

 DIMITRI



Poesia de Xavier Zarco - o poema da minha rua teima; A FAUSTO; Uma ode alcaica, que hoje estou virado para isto!


Poesia de Xavier Zarco - o poema da minha rua teima; A FAUSTO; Uma ode alcaica, que hoje estou virado para isto!




o poema da minha rua teima



 o poema da minha rua teima
 em negar a rotação
 da terra
 enquanto se deita a ver
 o sol que nasce e se ergue e se põe
 imagina o mesmo que outros
 antes dele imaginaram
 uma espécie de orfeu e de eurídice
 para o sol e a lua
 por vezes ambos surgem nas alturas
 talvez
 diz o poema
 seja efeito da música de orfeu
 que seus próprios sentidos engana
 talvez
 como talvez a terra gire em torno
 do sol talvez
 como talvez não seja efeito algum
 de música alguma
 mas dos copos bebidos ao final
 da tarde no café da dona isilda
 e do senhor agostinho
 no mercado das almas de freire
 talvez
 mas não é talvez
 a altura em que o poema se consola
 livre que está de cirurgias
 mesmo que estéticas
 dormindo inacabado no caderno
 sonhando desejando ali ficar
 simplesmente inacabado
 porque poema algum deseja o fim
 sufocar entre páginas de um livro
 condenado ao pó
 ao pó da indiferença
 enquanto isso
 o poeta despede-se do verso
 do último verso escrito
 como se alguma vez se despedisse
 bebe cerveja e pergunta
 artur
 como andam os gatos

Xavier Zarco



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Poesia de Carlos Fragata - DESEMPREGO; O NOSSO FILME; PORTUGUESES


Poesia de Carlos Fragata - DESEMPREGO; O NOSSO FILME; PORTUGUESES 


DESEMPREGO

 

Filas intermináveis, triste gente
 Que faz contas à vida por fazer,
 Olhos abertos, a olhar sem ver,
 O passado não deixa ver em frente!...
 Sonhos que se desfazem ao nascer,
 Ansiedades que queimam quem as sente,
 Como pode um país, tão tristemente,
 Com um povo tão rico, empobrecer?
 Até quando se cala um povo triste?...
 Qual o limite para a paciência?...
 A raiva está contida, mas existe!
 Haja quem recupere a consciência,
 Pese bem a razão que nos assiste,
 Queremos vida, não beneficência!!!

 Carlos Fragata



A vida e morte de Aaron Swartz - Por Victor Afonso - Blogue «O Homem que sabia demasiado»


A vida e morte de Aaron Swartz - Por Victor Afonso - Blogue «O Homem que sabia demasiado»



Aaron Swartz foi uma criança prodígio, inteligente e ávida de conhecimento. Porém, aos 26 anos, em Janeiro de 2013, suicidou-se (foi encontrado enforcado no seu apartamento de Nova Iorque).

Talvez a maioria não o conheça, mas o trabalho de Aaron está presente na nossa vida quotidiana há bastante tempo. Desde os 14 anos que Aaron trabalhava como programador informático criando ferramentas, programas e organizações na Internet. Isso significa que, aos 26 anos, Aaron já tinha trabalhado praticamente metade da sua vida. E, nesta metade ele participou na criação da especificação RSS (que nos permite receber actualizações do conteúdo de sites e blogues), do Reddit (plataforma aberta em que se pode votar em histórias e discussões importantes), e do Creative Commons (licença que libera conteúdos sem a cobrança de alguns direitos por parte dos autores). Mas não só...

A grande luta de Aaron Swartz durante a sua curta vida foi uma luta eminentemente política e activista: ele queria mudar o mundo através do poder da internet e acreditava que era possível. Defendeu o acesso à informação livre na internet, fez o download de grande quantidade de artigos do MIT que lhe valeu um processo judicial, era considerado como uma das mentes mais brilhantes da sua geração. 




Christopher Nolan: o primeiro filme


Christopher Nolan: o primeiro filme

Christopher Nolan notabilizou-se junto do grande público por ter feito a trilogia do Batman e o «Inception». Dois anos antes de ter realizado o original filme «Memento» (2000), Nolan realizou em 1998 a sua primeira longa-metragem.

Pouco conhecida do grande público, mas enaltecida por uma minoria de cinéfilos: chama-se «Following» e narra as desventuras de um jovem escritor que, mentalmente instável, vagueia pelas ruas seguindo pessoas pouco convencionais em busca de material para a sua escrita. Numa dessas perseguições depara-se com um ladrão e golpista que o convence a participar nos seus assaltos.

O escritor, fascinado com o universo apresentado, tomando-o por mais real do que qualquer um dos seus contos ou que a própria realidade, entrega-se a este mundo...

«Following», produção independente e barata de Nolan, com apenas 69 minutos de duração, tem uma bela fotografia a preto e branco, um clima de mistério e suspense, bons diálogos e um ambiente «noir», além de um desfecho surpreendente. Por isso vale muito a pena descobrir o primeiro filme do realizador que se especializou em blockbusters de qualidade.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

CARLOS CARVALHO – Missa do Galo - Por : PEDRO LUSO DE CARVALHO


CARLOS CARVALHO – Missa do Galo - Por : PEDRO LUSO DE CARVALHO



CARLOS CARVALHO (1939 - 1985), poeta, contista e dramaturgo gaúcho, natural de Porto Alegre, legou-nos entre outras obras, Calendário do medo, livro de contos da melhor qualidade, com o qual o autor foi premiado no Concurso Nacional de Contos do Estado do Paraná - FUNDEPAR.
 Segue o conto de Carlos Carvalho intitulado Missa do galo (In Carlos Carvalho/ Calendário do medo. 3ª ed. Porto Alegre: Editora Movimento, 1975, p. 45-46).

MISSA DO GALO  – CARLOS CARVALHO



Com a navalha no bolso, esperou a mulher na porta da igreja. Quando ela apareceu, foi se chegando, pegou no braço dela e disse:
 – Quero falar contigo, Maria.
 Ela não respondeu, Puxou o braço e foi caminhando. Ele insistiu:
 – Volta, Maria.
 Ela parou no primeiro degrau. Olhou-o, antes de responder, e ele sentiu vergonha da roupa amassada, da gravata puída, da barba de dias.
 – Não adianta, Justino, já disse.
 – Não gostas de mim?
 – Gosto.
 – Então volta, Maria.
 – Não adianta, Justino, não adianta.


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